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Saúde

Além de sequelas graves da covid, alguns sintomas podem persistir por meses, mesmo naqueles que apresentaram quadros leves da doença (Foto: Reprodução)
Além de sequelas graves da covid, alguns sintomas podem persistir por meses, mesmo naqueles que apresentaram quadros leves da doença (Foto: Reprodução)

O número absurdo de mortes por Covid-19 - cerca de 177.000 no Brasil e mais 1,5 milhão em todo mundo - relegou os debates sobre os riscos da doença a "sobreviver" ou "morrer". Entretanto, estudos feitos em diversos países do mundo, inclusive no Brasil, mostram que a lista de possibilidades ruins vai muito mais além.

Uma das revelações mais impactantes desses estudos é que, além de sequelas graves, alguns sintomas podem persistir por meses, mesmo naqueles que apresentaram quadros leves da doença, sem necessidade de internação. A possibilidade abrange todas as pessoas, não apenas o "grupo de risco" e envolvem, além dos já conhecidos danos aos pulmões, problemas no coração, rins, intestino, sistema vascular e até cérebro.

Pulmões


Na China, um dos primeiros estudos sobre a função pulmonar de pacientes que haviam acabado de receber alta indicava a redução da capacidade pulmonar como uma das principais consequências observadas, mesmo entre aqueles que não chegaram a ficar em estado crítico.

Publicado em abril no European Respiratory Journal, o trabalho demonstrava que em epidemias causadas por outros coronavírus (os da Sars e da Mers) ocorreram fenômenos semelhantes e as sequelas perduraram por meses ou anos em alguns casos.

Na Itália, um estudo mais recente, publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) verificou que, entre 143 pacientes avaliados, apenas 12,6% haviam sido internados em uma UTI, mas 87,4% relatavam persistência de pelo menos um sintoma mais de dois meses depois de terem alta, entre eles fadiga e falta de ar.

"A gente tem visto mesmo uma latência para a recuperação plena dos pacientes que tiveram quadros moderados", afirma o pneumologista João Salge. Muitos desses pacientes, ele conta, retornam às atividades do dia a dia, mas relatam cansaço e veem sua produtividade e qualidade de vida afetados.

Nos casos mais graves, é possível que haja sequelas permanentes, como a fibrose pulmonar, uma doença crônica caracterizada pela formação de cicatrizes no tecido pulmonar. Assim, o pulmão expande menos, ou com maior dificuldade, com uma consequente perda de eficiência nas trocas gasosas. Com a redução da capacidade respiratória vem a falta de ar e o cansaço frequentes.

Coração e rins

Na Alemanha, um estudo revelou resultados preocupantes: entre 100 pacientes recuperados, 78% apresentaram algum tipo de anomalia no coração mais de dois meses após a alta. A maioria deles (67%) teve uma forma branda da doença e sequer precisou ser hospitalizada.

No caso dos rins, as evidências mostram uma incidência alta de falência entre os casos mais graves de covid-19. Um amplo estudo com dados de pacientes internados em Nova York entre 1 de março e 5 de abril revelou que, dentre 5.449, mais de um terço (1.993) desenvolveu insuficiência renal aguda.

Cérebro

Além de tudo isso, os médicos têm observado outro quadro em pacientes com casos graves: a ocorrência de acidentes vasculares cerebrais (AVC). Por alguma razão que os cientistas ainda desconhecem, o Sars-CoV-2 aumenta a tendência de coagulação do sangue.

A coagulação desenfreada pode levar a um tromboembolismo venoso — o bloqueio de uma via sanguínea, que pode acabar causando AVC, embolia pulmonar ou a necrose de extremidades, levando à necessidade de amputação: mais uma coisa que tem sido observada em pacientes com covid.

A ocorrência de uma série de sintomas neurológicos que vão de confusão mental e dificuldade cognitiva a delírio também tem sido documentada entre pacientes com covid-19.

No Brasil, uma força-tarefa do Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul (Inscer), vinculado à PUC-RS, investiga, entre outras frentes, quais sequelas podem ficar desses sintomas.

O neurologista Jaderson Costa da Costa, que coordena o grupo, conta que, entre os casos mais graves atendidos pela equipe no Hospital São Lucas, em Porto Alegre, têm sido observadas convulsões, casos de síndrome de Guillain-Barré (que ataca o sistema nervoso e causa fraqueza muscular) e de encefalite, a inflamação do parênquima do encéfalo.

Síndrome pós-UTI

Como se a doença em si já não deixasse marcas o suficiente, o tratamento prolongado também tem efeitos colaterais: quanto maior o período no hospital maiores as chances de outro problema que acomete aqueles afetados por infecções graves: a síndrome pós-UTI.

Os sintomas vão desde perda de força muscular, alterações da sensibilidade e da força motora por disfunção dos nervos até depressão, ansiedade, alterações cognitivas, prejuízo de memória e da capacidade de raciocínio.
Sobreviver, morrer... ou sair ileso

"Essa dicotomia entre 'morreu' e 'sobreviveu' é errada", diz o pneumologista Gustavo Prado, chamando atenção para a necessidade de se discutir a reabilitação dos recuperados.

Para ele, a ampla gama de possíveis sequelas deixadas pela covid-19 e a dimensão da população atingida deveriam transformar esse processo de recuperação em uma questão mais ampla, que envolvesse uma estratégia de saúde pública e assistência social e incluísse profissionais da saúde de diferentes frentes.
Em Camaçari, de acordo com dados da prefeitura, até a primeira semana de dezembro 6794 pessoas contraíram a doença. Deste total, 6.524 se recuperaram e 132 morreram. A prefeitura, assim como os demais níveis de governo (estadual e federal) não divulga dados sobre a permanência de sintomas e/ou sequelas.

*Com informações da BBC Brasil

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