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Saúde

Em Paris, houve show no fim de maio com o objetivo de investigar se esses eventos podem ocorrer com segurança. Mas a Delta muda este cenário (Foto: Stephane de Sakutin/AFP)
Em Paris, houve show no fim de maio com o objetivo de investigar se esses eventos podem ocorrer com segurança. Mas a Delta muda este cenário (Foto: Stephane de Sakutin/AFP)

Identificada na Índia, cepa já está em 98 países, incluindo o Brasil, onde já há pelo menos 11 casos e duas mortes registradas

Alta taxa de contaminação, aliada ao potencial de provocar reinfecções em pessoas já curadas pelo SARS-CoV-2. Ocupa também, desde maio, a primeira posição no ranking das variantes de preocupação, designadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) por ser, praticamente, 100% mais transmissível do que a versão original do coronavírus. Como se não bastasse, ganhou recentemente uma versão ‘plus’ com maior habilidade em se conectar à célula humana. A variante Delta (B.1.617.2) do novo coronavírus está fazendo o mundo inteiro se perguntar: haverá mesmo o retorno de uma vida normal? Quando?

A cepa foi identificada pela primeira vez em outubro de 2020, na Índia – país com alto índice de subnotificação, mas que já acumula mais de 30,4 milhões de casos confirmados de covid-19 com a marca de 400 mil mortes alcançada na última sexta-feira.

A Delta levou o sistema de saúde indiano ao colapso entre os meses de abril e maio, quando a segunda onda registrou recorde mundial de 4.529 óbitos em 24 horas.  De lá para cá, a variante atravessou fronteiras continentais chegando com força, sobretudo, no Reino Unido, onde já responde, atualmente, por 93% dos novos casos, superando a cepa inglesa Alfa (B.1.1.7).

Nessa volta ao mundo, os EUA também acenderam o alerta. Isso porque, mesmo em um estágio avançado na vacinação, a Delta já pode ser responsável por uma em cada cinco novas infecções. No início de junho, o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) apontava para quase 10% das infecções.

E a variante não parou por aí e fez com que países como Austrália, Israel, Hong Kong, África do Sul e Rússia retomassem medidas restritivas para conter a disseminação da Delta. Entre elas, o retorno do uso de máscara em locais fechados, a reimposição do lockdown, fechamento de fronteiras e normas rígidas para a entrada de estrangeiros. Indonésia e Bangladesh despontam para um novo surto. Ao todo, a Delta foi identificada em 98 países, segundo a OMS.

“A Delta chama a atenção do mundo por ser uma variante muito mais transmissível. Existem relatos que a contaminação ocorra de forma mais rápida em uma menor distância e por um tempo menor de contato entre os indivíduos. Também estão sendo estudado se tem alguma predisposição no aumento das hospitalizações e agravamento da doença”, destaca o mestre em Microbiologia e membro da Rede Análise Covid-19, Mateus Falco.

Ainda que não haja registro de casos de transmissão comunitária do lado de cá, a Delta está no Brasil e fez duas vítimas. Segundo o Ministério da Saúde, até sexta-feira, 11 casos foram confirmados, sendo seis no navio que está na costa do Maranhão, um em Campos dos Goytacazes (RJ), um em Juiz de Fora (MG), dois em Apucarana (PR) e um em Goiânia (GO). A Bahia ainda não tem registro de contaminação pela Delta.

Uma das mortes ocorreu no dia 24 de junho. A vítima era um tripulante do navio no Maranhão, de 54 anos. O outro óbito é o de uma gestante de 42 anos, no dia 18 de abril, no Paraná, mas confirmado nesta semana, após o resultado do sequenciamento genético. Na investigação, constatou-se que ela esteve no Japão.

Os registros no Brasil, por enquanto, estão relacionadas a casos de indivíduos voltando de viagem de países onde a Delta está mais presente, como aponta o pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Bahia e colaborador da RedeCovida, Tiago Gräf.

“É fundamental prestar atenção na disseminação da Delta no Brasil. Estamos falando de uma variante que é capaz de se transmitir com duas vezes mais facilidade do que o SARS-CoV-2 original. Ela é mais transmissível, inclusive, do que a Gama, que é a prevalente em grande parte no país”.  A variante Gama é a que foi identificada inicialmente em Manaus.

Protegidos?

Enquanto a Delta se dissemina com rapidez pelo mundo, os cientistas se desdobram para tentar entender se ela é mais mortal do que as outras variantes de preocupação e como fica a eficácia das vacinas disponíveis hoje. A diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Carissa F. Etienne, reassegurou aos países que as vacinas contra a covid-19 são eficazes mesmo com a circulação das novas variantes do coronavírus:

“Até agora, a Opas descobriu que o impacto das variantes de preocupação sobre a eficácia das vacinas tem sido mínimo. No entanto, elas aumentam a necessidade de melhorar o acesso às vacinas e torna mais urgente que aceleremos o fornecimento para os locais com maior transmissão”, disse Carissa.

Uma pesquisa liderada pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, divulgada na quarta-feira (28), revelou que pessoas que se infectaram antes por outras cepas do novo coronavírus têm um soro com anticorpos menos potentes contra a Delta. Apesar de sugerir um escape maior do vírus frente a anticorpos de infecções anteriores, o estudo revela que as vacinas de RNA mensageiro e vetor viral, como Pfizer e AstraZeneca, continuam eficientes contra a infecção pela cepa Delta.

O trabalho foi publicado na revista científica Cell e contou com a participação da Fiocruz, envolvendo, ao todo 59 pesquisadores, de países como Reino Unido, China, Estados Unidos, África do Sul e Tailândia, além do Brasil. A pesquisa mostrou que a capacidade de neutralizar a variante Delta é 2,5 vezes menor no caso da vacina da Pfizer e 4,3 vezes menor para a AstraZeneca.

Outra análise divulgada pela Public Health England, na Inglaterra, sobre a Pfizer e a AstraZeneca reconheceu que existe uma redução pequena na concentração de anticorpos neutralizantes no sangue, porém, os dois imunizantes continuam efetivos em impedir hospitalizações, desde que seja cumprido o esquema vacinal de duas doses. A Pfizer alcançou uma efetividade de 96%. Já a AstraZeneca, 92%. Em ambos estudos, o percentual foi comparado com a efetividade das vacinas contra hospitalização pela variante Alfa.

Já a Johnson & Johnson divulgou um comunicado nesta semana afirmando que a Janssen levou à produção de anticorpos ao longo de pelo menos oito meses contra todas as variantes, entre elas a Delta, o que comprovaria sua eficácia, mas os resultados ainda não foram avaliados por outros cientistas nem publicados em revista. Não há dados aprofundados sobre o alcance da CoronaVac.

A cobertura vacinal tem feito a diferença, como analisa o pesquisador em saúde pública da Fiocruz Bahia, Tiago Gräf. “Em Israel, por exemplo, que é o país que tem a melhor cobertura de vacinas do mundo, se observou a Delta crescendo, mas não aumentou o número de mortes até agora por causa da variante. Isso mostra a capacidade das vacinas em proteger da Delta também. Podem haver infecções, visto que ela é a cepa com maior capacidade de escape do bloqueio dos anticorpos, porém, isso não significa que elas não são eficazes”.

Sobre mortalidade, Gräf comenta que não há nada consolidado sobre a associação da Delta a uma maior chance de óbito.

“É um fator que depende de três questões: uma é o próprio vírus em si, se ele é mais virulento ou não. A outra é o hospedeiro, a pessoa que se infecta, se ela tem comorbidade, se é saudável. E o terceiro fator é o ambiente, um bom sistema de saúde. Tudo isso influencia”, considera.

Lista vermelha

Enquanto o cantor Caetano Veloso anunciou que vai sair em turnê internacional que deve começar em agosto e passar por Alemanha, Bélgica e França, os planos de intercâmbio na Irlanda da jornalista Nádia Conceição permanecem na esfera do sonho até que se sinta mais segura em viajar. A viagem está paga, inclusive.

O início do curso era para julho, mas teve que ser adiado para 2022. “O meu receio de viajar é geral. O fato de haver variantes torna tudo ainda mais tenso. Além do mais, podemos ter problemas com o fato de sermos brasileiros com a dificuldade para aprovação da entrada, tendo em vista que nossa política de gestão da pandemia é uma das piores”, comenta.

De fato, o Brasil está na lista vermelha de países europeus.  Os critérios levam em consideração o número de novas infecções, o comportamento da pandemia e as políticas dos governos para combater o coronavírus. Baiana, a gerente de relações internacionais na Bethnal Student Academy, Vera Rocha, de 44 anos, mora há 10 anos na Inglaterra e precisou viajar para o Brasil neste ano pelo menos três vezes.

“A entrada de brasileiros aqui está muito difícil. Eu trabalho com a educação, e as empresas daqui estão sofrendo muito com a falta de alunos brasileiros. Na última viagem, ao retornar para a Inglaterra, tive que apresentar o teste de covid, pagar 1.750 libras (R$ 12,2 mil) e ficar 11 dias de quarentena em um hotel designado pela imigração, onde só ficam pessoas de países que vem da lista vermelha, o ‘red list’”, enumera.

Ela conta que os hotéis ficam próximos ao aeroporto e as pessoas são distribuídas logo no desembarque. “Ao chegar no hotel, a gente tem direito somente a 20 minutos para descer e tomar um ar fresco. O segurança te pega na porta do quarto e te acompanha. No valor da taxa estão inclusos dois testes de covid, alimentação - café da manhã, almoço, jantar - mais a hospedagem. Nunca vi isso na minha vida, fiquei muito surpresa”.

Também baiana, a professora Mariana Sales, 28 anos, vive na Holanda desde 2019 e está com uma viagem programada para Salvador no dia 23 de julho. Ela já foi imunizada com a primeira dose da vacina Moderna. “O Brasil ainda é considerado um país de alto risco pela Holanda, por isso a entrada de brasileiros não é permitida. Existem algumas exceções, como quem tem visto de residência no país. Só vou conseguir ir e voltar por conta disso. Mas já tenho consciência que o retorno vai ser uma dor de cabeça”, diz.

As restrições a estrangeiros são rígidas. No entanto, desde o dia 26 de junho, o uso de máscara não é mais obrigatório na Holanda - exceto no transporte público -, como afirma Mariana: “Eu acho meio louco. Desde então, vou no supermercado e não vejo mais ninguém de máscara. Parece uma realidade alternativa. Eventos também estão liberados, mas as pessoas têm que provar que estão vacinadas ou fizeram um teste. Talvez seja por causa desse frisson geral do verão, mas espero que a gente não tenha mais uma onda depois de tudo isso”.

Cepa competitiva

Existe a chance da Delta se estabelecer no Brasil? Para o pesquisador Tiago Gräf, o estabelecimento da cepa indiana sobretudo na Europa e nos Estados Unidos pode facilitar uma introdução forte no Brasil a partir do segundo semestre.

“Por ela ser mais transmissível que a Gama, sua frequência no país tem potencial de aumentar sim. Por isso, é importante enfatizar vigilância genômica em pacientes infectados e suspeitos que vêm de fora no país e na população como um todo para saber quais são as linhagens circulando. Precisamos acelerar a imunização no Brasil nesse momento em que a Delta ainda não tem transmissão comunitária”, ressalta.

Para além do perigo da Delta – que, acredite, ganhou uma subvariante plus – existe a probabilidade de tornar a Gama mais ‘competitiva’, conforme pontua o pesquisador. “A Delta é perigosa, mas não podemos tirar o olho da Gama, que responde por um grande volume de infecções. Isso promove a maior circulação desse vírus e uma mutação capaz de promover um novo salto evolutivo e se tornar mais transmissível, ou seja, uma versão 2.0”, afirma.

O Brasil já ultrapassou 520 mil mortes por covid e só 12,67% da população completaram a imunização. Na Bahia, 13,08% tomaram todas as doses. Independentemente da variante do vírus, a higiene das mãos, distanciamento, uso de máscaras e a vacinação em massa se mantêm enquanto medidas necessárias, que vão impactar não só no surgimento de variantes, mas na aceleração ou não das já existentes.

Membro da Rede Análise Covid-19, Mateus Falco defende que o problema não está na vacina que perde em efetividade, e sim na falta de medidas de cuidado para não transmitir o vírus. “Enquanto o discurso de que usar máscara fere a liberdade individual for seguido, mais casos veremos de infecção pelo vírus, e isso vai custar uma maior sobrecarga dos hospitais e equipes médicas, aumentando ainda mais essa tragédia em números. Portanto, o cuidado para não se infectar deve ser mantido como prioridade. A mensagem que fica é muita atenção para a circulação do vírus”.

TIRA-DÚVIDAS SOBRE A DELTA

O que se sabe sobre ela?


Desde maio, a Delta (B.1.617.2) é considerada uma cepa de preocupação pela OMS. A primeira amostra da variante foi identificada na Índia, em outubro de 2020. Sabe-se que a transmissibilidade da delta é maior que da Alfa (B.1.1.7), seguida pela Gama (P1) e a Beta (B.1.351).

Por que preocupa tanto?

Depois de atingir números avassaladores na Índia, a Delta passou a se espalhar mais rapidamente, sendo detectada em 98 países até o momento, seja na Europa, Oceania ou América, incluindo EUA e Brasil.

Como as variantes se manifestam?

Quanto maior a circulação do vírus cresce também o surgimento de variantes a partir das mutações que ampliam sua capacidade de adaptação. Isso pode impactar não só na gravidade da doença, mas até no desempenho das vacinas.

Ela é mais mortal?

Essa é umas das perguntas que a ciência ainda precisa responder. Porém, o mestre em microbiologia, membro da Rede Análise Covid-19, Mateus Falco, destaca um estudo publicado na revista científica The Lancet sobre a Delta na Escócia: “O material revelou que a taxa de hospitalização pela Delta é 85% maior do que em relação aos dados para a variante Alfa. Entretanto, o estudo não conseguiu mostrar se a mortalidade cresceu”.

As vacinas são eficazes contra a Delta?

A diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Carissa F. Etienne, assegura que as vacinas contra a covid-19 são eficazes mesmo com a circulação das novas variantes do vírus. De uma maneira geral, de acordo com diferentes estudos que estão sendo realizados, os imunizantes continuam necessários e eficientes diante da variante Delta, mesmo que haja algum tipo de escape perante os anticorpos.

Os sintomas mudam?

A anosmia (perda do olfato) e a ageusia (perda do paladar), por exemplo, eram sintomas mais fáceis de identificar no começo da pandemia. Contudo, a Delta não apresenta mais esses sintomas.  Agora, entre os principais estão dor de cabeça, dor de garganta, coriza e febre.  

O que significa o surgimento da Delta Plus?

A principal diferença entre a Delta e a Delta Plus é a mudança em um aminoácido da proteína Spike, que liga o vírus no receptor das células humanas e, com isso, desencadeia a infecção. A Delta Plus apresenta uma força maior de ligação nos receptores das células pulmonares.

Há risco da Delta virar dominante no Brasil?

No momento, a Gama (P1), que surgiu em Manaus, é a variante predominante no país. Como ainda não há indicações de contaminações comunitárias pela Delta no Brasil, não dá para dizer se ela pode superar a Gama. Até sexta-feira, o Ministério da Saúde tinha confirmado 11 casos da variante Delta e duas mortes.

O que ainda é necessário descobrir sobre a Delta?

É preciso avançar em pesquisas que descubram se a Delta apresenta maior risco para aumento na mortalidade e se, de fato, ela responde pela ocorrência de casos mais graves. Também são necessários estudos mais conclusivos sobre a eficácia das vacinas contra a Delta, principalmente, no que diz respeito aos imunizantes Janssen e CoronaVac.

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