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Saúde

Homem de boné e camisa listrada vende remédios proibidos na entrada de São Joaquim (Lúcio Távora / Agência A TARDE)
Homem de boné e camisa listrada vende remédios proibidos na entrada de São Joaquim (Lúcio Távora / Agência A TARDE)

Proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os fármacos Cytotec e Pramil, um abortivo e um estimulante sexual, respectivamente, são vendidos à luz do dia na Feira de São Joaquim, à revelia dos órgãos de fiscalização. Na última quarta-feira, 21, A TARDE adquiriu uma cartela de cada produto, a um custo total de R$ 120.

Dissimuladamente, os vendedores desafiam a presença de soldados da Polícia Militar e de fiscais da prefeitura, oferecendo os medicamentos a qualquer frequentador da feira. No caso do Pramil, de mais fácil acesso, os clientes são homens querendo melhorar o desempenho sexual. Os preços dos comprimidos desse produto variam de R$ 3 (a unidade) até R$ 10, uma cartela com quatro unidades. A TARDE comprou oito comprimidos por R$ 20, a um preço de R$ 2,50 cada. A venda ilegal do Cytotec é mais sigilosa. Questionados pela reportagem sobre a disponibilidade do abortivo – cientes do poder destrutivo do medicamento –, os três vendedores interpelados individualmente procuraram se distanciar do público, buscando conversa reservada. “A gente consegue”, disse um deles, ao informar o valor de R$ 30, a unidade do comprimido. A sugestão dos vendedores para garantir eficácia no uso do medicamento é de que sejam adquiridas, pelo menos, quatro unidades.

Um vendedor de aparentes 50 anos, cabelos longos, penteados no estilo rabo de cavalo, informou que o valor do comprimido oscila de acordo com a “lei da oferta e da procura”, como numa espécie de cartel. “Quando as vendas estão boas, o preço cai”, respondeu, sem informar sobre o desempenho das vendas. Com ele, A TARDE obteve quatro comprimidos de Cytotec falsificado, que, após ‘pechincha’ da reportagem, custaram R$ 25, cada, totalizando um gasto de R$ 100.

Saúde pública - O estudo Aborto e Saúde Pública – 20 anos de pesquisa no Brasil, do Ministério da Saúde, publicado em 2008, revela que o misoprostol (princípio ativo do Cytotec) entrou no Brasil em 1986, para tratamento de úlcera gástrica, e até 1991 era vendido ao público em farmácias.

Em 2005, o registro do Cytotec foi definitivamente cancelado pela Anvisa. Hoje, apenas a medicação Prostokos, com o mesmo princípio ativo do Cytotec, é permitida nos hospitais para esvaziamento uterino por morte embrionária ou fetal e em caso de aborto previsto em lei.

Não há estatísticas oficiais, no Estado e no País, de quantos abortos foram provocados pelo uso  indevido de Cytotec. Mas estudos mostram que a automedicação da droga tem contribuído com os índices da mortalidade materna.

O mais recente estudo detalhado sobre o tema no Estado, a pesquisa Dossiê: A realidade do aborto ilegal na Bahia, realizado em 2008 pelo Instituto Mulheres pela Atenção Integral à Saúde, Direitos Sexuais e Reprodutivos (Imais),  traz o aborto como a principal causa de mortalidade materna no Estado.

O documento cita pesquisa realizada em 2006, com 4.634 moças e rapazes entre 18 e 24 anos, nas cidades de Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre. A capital baiana registrou o maior percentual de meninas que já abortaram pelo menos uma vez (10,5%, contra 7,2% e 3%, respectivamente). Além disso, na cidade, à época, 49,1% das mulheres entrevistadas relataram ter utilizado o fármaco Cytotec para provocar o abortamento.

Só na última quarta-feira, 21,  cinco mulheres chegaram à enfermaria da Maternidade Tsyla Balbino, na Baixa de Quintas, em processo de abortamento induzido. Elas tiveram de passar por curetagem uterina, procedimento médico para retirar os restos fetais de um abortamento incompleto.

 

 

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