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Política

Presidente Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução)
Presidente Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução)

A reforma ministerial reflete o enfraquecimento político do presidente Jair Bolsonaro, que aumenta a dependência do Centrão e perde sustentação militar.

Esse enfraquecimento é resultado da completa inação administrativa, a falta de rumo simbolizada pelo engodo da gestão Paulo Guedes na Economia, e da tragédia sanitária na condução do combate à pandemia de coronavírus. Há um temor em Brasília de que a reforma seja sinal da tentação golpista de Bolsonaro. Golpista ele é, mas está muito fraco para tentar algo nessa linha e ter sucesso.

Na saída do Ministério da Defesa, o general Fernando Azevedo e Silva deu a senha ao se despedir dizendo que preservou "as Forças Armadas como instituições de Estado". Foi um recado claro de que há resistências no Exército, Marinha e Aeronaútica a serem usadas por Bolsonaro de acordo com os seus interesses políticos e policiais.

Azevedo e Silva saiu revelando o incômodo de boa parte dos militares da ativa com o desastre do atual governo. Os militares endossaram uma aventura e deverão terminar o governo Bolsonaro tão queimados como após a ditadura militar de 1964. Azevedo e Silva está tentando salvar os anéis.

Uma troca relevante aconteceu na articulação política, com a ida da deputada federal Flávia Arruda (PL-DF) para a Secretaria de Governo da Presidência da República. É a instalação do Centrão dentro do Palácio do Planalto. A mudança é sinal da disposição de Bolsonaro de fazer o que ele chamava de velha política para tentar se reeleger e evitar eventual impeachment.

A ida do general Eduardo Ramos, ex-articulador político, para a Casa Civil foi mera acomodação na cozinha palaciana. Braga Netto deixou a Casa Civil para assumir a Defesa. É mais um general que pagará alto preço por ter confundido a sua biografia com a de Bolsonaro.

A indicação do delegado federal Anderson Gustavo Torres para a Justiça casa com o plano de uso da Polícia Federal como polícia de governo e não de Estado. O Ministério da Justiça é simbólico, tradicionalmente comandado por nomes de maior biografia. Não tem sido o caso nos últimos tempos, sobretudo no governo Bolsonaro.

A volta de André Mendonça para a AGU (Advocacia Geral da União) é outra acomodação interna. A gestão de Mendonça na Justiça foi marcada pela submissão à estratégia da família Bolsonaro de fugir da polícia. Mendonça é uma figura típica de Brasília, que se molda a quem está no poder com extrema facilidade.

A queda de Ernesto Araújo acabou diluída em meio às outras mudanças. O novo ministro, o embaixador Carlos Alberto Franco França, terá um grande pepino a administrar: a influência do deputado federal Eduardo Bolsonaro na política externa.

Araújo, que se deu mal ao apostar todas as fichas em Donald Trump, deixa o cargo desmoralizado. Sua herança é a piora da imagem internacional do Brasil, o que resultou num isolamento danoso em meio à pandemia de coronavírus.

Reformas ministeriais costumam funcionar para dar algum fôlego a governos em crise. No caso de Bolsonaro, ele é a crise. Apesar das trocas em seis pastas, os problemas continuarão porque o país tem o pior presidente da sua História.

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