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Política

Presidente Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução)
Presidente Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução)

Políticos do Nordeste, região onde a esquerda é maioria, são principais alvos do presidente

Um ano após ser eleito com o discurso crítico à "velha política", Jair Bolsonaro aderiu a tática do "toma lá, dá cá" e admitiu estar dando cargos a partidos e políticos do "centrão" em troca de apoio. O presidente também disse que as conversas com os partidos passam também por possíveis alianças na eleição de 2022.

Em live realizada nesta quinta-feira (28), Bolsonaro afirmou que os parlamentares se sentem “prestigiados” com as indicações e acrescentou que os deputados, muitas vezes, querem dizer que são os “donos” de determinadas obras.

A mudança na estratégia política, segundo o presidente, ganhou força há dois meses, quando passou a se reunir com frequência com presidentes de partidos e líderes das legendas no Congresso. O centrão já indicou nomes para a direção-geral do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e para uma diretoria do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

"Temos que ter agenda positiva para o Brasil e temos que conversar com partidos de centro também. Conduzi a conversa ao longo dos dois últimos meses. Conversei com praticamente todos presidentes e líderes de partidos. Sim, alguns querem cargos, não vou negar. Alguns, não são todos. Mas, em nenhum momento, oferecemos ou pediram ministérios, estatais ou bancos oficiais. Pega o Ministério do Desenvolvimento Regional (o Dnocs está vinculado à pasta), que tem estrutura gigantesca, que em grande parte tem atuação no Nordeste. Tem cargo na ponta da linha, segundo ou terceiro escalão que estava na mão de pessoas que são de governos anteriores ao Temer. Trocamos alguns cargos nesse sentido. Atendemos, sim, a alguns partidos nesse sentido (de cargos)", disse o presidente.

Bolsonaro acrescentou que as conversas incluem negociações por possíveis alianças, especialmente no Nordeste, cujos governadores são majoritariamente de partidos de esquerda. opositores ao governo.

"Tem estados do Nordeste, em especial, em que o PT está forte. Em quase todos, o PT é muito forte e, para derrotá-los, tem que somar todas as forças do outro lado. Para mim, com todo respeito ao Parlamento, prefiro deputados desses outros partidos do que PT ou PCdoB", disse.

O presidente minimizou a possibilidade de a entrega de cargos resultar em corrupção, alegando que o próprio governo tem mecanismos de controle, como a Controladoria-Geral da União (CGU).

"Eles (parlamentares) se sentem prestigiados, porque na ponta da linha ter indicado para terceiro ou quarto escalão é bom (…) Agora, acusação vem aí, centrão, fisiologismo… Hoje em dia é muito difícil fazer besteira (…) Muitas vezes o parlamentar quer dizer que é dono da obra, mais nada além disso. Intenção não é fazer besteira, se fizer paga o preço. Qualquer pessoa indicada passa por sistemas de informação nosso, a gente pesquisa a vida pregressa dessa pessoa. Se tem condições de exercer o cargo, vai exercer, sem problema nenhum. Se tinha algum mistério, está desfeito", justificou-se.

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