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Mayane denunciou o motorista do aplicativo 99Pop; ele acabou expulso (Foto: Reprodução)
Mayane denunciou o motorista do aplicativo 99Pop; ele acabou expulso (Foto: Reprodução)

Passava das 11h30 quando a maquiadora e atendente de caixa Mayane Neres, 19 anos, solicitou uma corrida no aplicativo 99Pop de sua casa, no bairro de Pernambués, em Salvador, para o trabalho, no bairro do Itaigara. Como era finalzinho da manhã, a rua estava tranquila. Não havia o que temer. Quando o carro chegou, optou por seguir no banco de trás. No entanto, minutos depois, o que era pra ser uma viagem tranquila, segundo ela, acabou sendo a mais assustadora e traumática de todas.

O fim do sossego começou, justamente, no início da corrida. Após entrar no veículo, na segunda-feira (3), a maquiadora alega ter sido questionada sobre uma ladeira. “Quando eu entrei, ele [motorista] já veio falando da ladeira da minha casa, dizendo que não ia subir, porque o carro dele era muito pesado”, conta ela, em conversa com o CORREIO.

Ao longo da corrida, segundo Mayane, percebeu uma conduta suspeita no motorista. "Ele estava eufórico, olhando pra mim e pro lado. Fiquei com medo e nervosa, então, tentei puxar assunto, mas ele não falava muito". A situação se complicou bastante, daí por diante, e ela usou sua conta numa rede social pra denunciar o caso. O motorista, que já havia sido expulso do Uber por conta das baixas avaliações de usuários, nega as acusações (ver mais abaixo).

Mudança de rota

 

Perto do destino, Mayane entrou em desespero. De acordo com ela, o motorista mudou a rota. "Ele estava mudando e eu dizendo: 'moço, não é por aí, não. Eu vou por outro caminho sempre'", relata.

Em seguida, a jovem afirma que tentou ligar para uma amiga, mas o motorista não deixou ela completar a ligação.

"Eu mandei uma mensagem pra minha amiga dizendo que estava na viagem com um Uber [era 99Pop] muito estranho. Aí, quando eu fui ligar, ele me mandou guardar o telefone. Depois, botei o celular no banco do carro. Ali, me senti indefesa. Eu não estava com medo de ser estuprada e não chorava porque queria me manter calma para sair da situação”, explica a maquiadora.

Ainda de acordo com Mayane, ao entrar na rua de destino, o motorista viu um carro da polícia. "Ele viu a viatura e deu meia volta. Mas ainda assim a polícia não podia me ver, porque o vidro do carro dele era fumê”, comentou. Nesse momento, segundo a jovem, o motorista disse "não foi dessa vez".

Já perto do destino final, ela pediu ao condutor para descer. Ela afirma que no momento em que foi descer, ele gritou, mais uma vez: "Não foi dessa vez, mas a gente ainda vai se bater".

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Meia hora de terror

A jovem disse que apesar do susto, não vai desistir de denunciar. "Foram 29 minutos de terror. Morri de medo dele fazer alguma coisa comigo. A corrida, que geralmente dura 10 a 15 minutos, foi pra 29. E, além disso, eu pago no máximo R$ 11, mas precisei pagar R$ 17", detalhou a moça.

"Tudo isso aconteceu, mas não vou deixar pra lá. Quando postei no Instagram, várias mulheres relataram situações parecidas", concluiu ela.

Outro lado

Diferente da versão apresentada por Mayane, o motorista Jeferson de Souza Costa, 27, nega que tenha deixado a vítima em qualquer tipo de situação de constrangimento ou que tenha usado tom ameaçador durante a corrida. "Ela não me avisou que tinha ladeira, então eu esperei na ponta da saída da rua, como indicava o GPS. Tentei subir três vezes, pelo menos”, justifica o condutor.

Ele diz que quando Mayane entrou no carro, ele ligou o GPS e perguntou a ela qual a melhor opção de destino. "Perguntei se por onde ela queria ir e ela me pediu pra escolher. Então, liguei o GPS. Ao longo do caminho, fiquei chateado porque ela não me avisou da ladeira, mas não mudei a rota e nem toquei no celular dela. Tudo isso é mentira", afirma Jeferson.

Ele disse que acordou, na manhã desta quarta, assustado com as ameaças que está recebendo, principalmente pelas redes sociais. "Ela inventou isso e o povo está achando que sou estuprador. O aplicativo já me bloqueou. Como vou trabalhar agora?".

Para Jeferson, a jovem expôs a situação para "ganhar curtidas" nas redes sociais. "Ela parece que é popular na internet. Acho que está fazendo isso pra ter mais seguidores. Mas ela me prejudicou muito hoje", diz o rapaz, afirmando que já prestou queixas contra a jovem.

O presidente do Sindicato dos Motoristas por Aplicativos e Condutores de Cooperativas do Estado da Bahia (Simactter), Átila Santana, acredita na versão de Jeferson. Ele também acredita que a jovem tenha feito uma denúncia falsa com intenções escusas.

"Ela [Mayane] se diz blogueira e está fazendo isso pra ganhar seguidores, mas ela só está prejudicando um trabalhador de bem. Ela fez isso tudo porque achou ele estranho", opinou o sindicalista.

Posição da 99Pop
A empresa 99, que controla o aplicativo de viagens 99Pop, informou, por meio de nota, que recebeu da passageira a denúncia de que um motorista da plataforma a assediou na tarde de segunda-feira. Segundo a assessoria da empresa, o condutor foi imediatamente banido da plataforma.

“A empresa repudia qualquer tipo de violência contra as mulheres. Lamentamos profundamente o ocorrido e nos solidarizamos com a vítima. Estamos em contato com ela para prestar todo o apoio possível. Além disso, nos encontramos abertos para colaborar com as autoridades", diz o comunicado.

Ainda segundo a assessoria, "a 99 possui uma equipe de segurança com mais de 30 pessoas que trabalha 24 horas por dia, sete dias por semana, dedicada exclusivamente à proteção dos usuários”.

O que fazer em casos de má conduta do motorista?
A 99 orienta os usuários a registrar um Boletim de Ocorrência (B.O.) na delegacia e a entrar em contato com a Central de Segurança do aplicativo pelo telefone 0800 888 8999, um canal exclusivo que oferece auxílio imediato.

A assistência conta com apoio emocional e psicológico, caso necessário. Além disso, a ajuda pode incluir o envio de um carro em ocorrências em que a vítima se encontre em um local isolado, por exemplo. É pedido também que o passageiro envie o B.O. feito para a 99.

Outro aplicativo

A plataforma Uber, que presta o mesmo tipo de serviço, também informou, por nota, que repudia qualquer tipo de comportamento abusivo contra mulheres e acredita na importância de combater, coibir e denunciar casos de assédio.

Nos casos de incidentes, a empresa diz que é possível reportar a situação no próprio app, com poucos cliques. Basta abrir o menu e clicar em "Suas Viagens", selecionar a viagem, clicar na opção "Opiniões sobre o motorista" e em seguida escolher alguma situação ou "Tive outro problema com meu motorista". O app abre um campo onde o usuário ou a usuária escreve seu relato.

A Uber conta com uma equipe de suporte que analisa caso a caso com rapidez. É importante frisar que o conteúdo é completamente sigiloso e não será divulgado.

 

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