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Ex-assessor Fabrício Queiroz (Foto: Reprodução | SBT)
Ex-assessor Fabrício Queiroz (Foto: Reprodução | SBT)

Para o MP, os valores recebidos por ela na Assembleia do Rio funcionavam na prática como uma pensão alimentícia

O ex-assessor Fabrício Queiroz demitiu a ex-mulher de um miliciano que trabalhava para Flávio Bolsonaro e tentou evitar uma vinculação entre o gabinete do filho do presidente e o criminoso, conforme investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ). As informações são do jornal "O Globo".

No dia em que se tornou público que era alvo de investigação, em dezembro do ano passado, Queiroz avisou por WhatsApp a Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, ex-mulher de Adriano Magalhães da Nóbrega, o “Capitão Adriano”, chefe de uma quadrilha de milicianos, que ela havia sido exonerada do gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa (Alerj).

O ex-assessor explicou que o motivo era o fato de que ele e Flávio eram alvo de uma investigação. Por mensagem de texto, Queiroz ainda pediu à  mulher que evitasse usar o sobrenome do miliciano. Para reforçar o pedido de cautela, encaminhou uma foto, divulgada pela mídia á época, na qual Queiroz e Flávio aparecem juntos.

À reportagem, o ex-assessor confirmou a conversa e defendeu, por meio de advogados, que "tais diálogos tinham como objetivo evitar que se pudesse criar qualquer suposição espúria de um vínculo entre ele e a milícia".

De acordo com investigadores que tiveram acesso às mensagens, Danielle respondeu a Queiroz que já não usava o sobrenome “Nóbrega” há muitos anos e estava em outra relação. Ela ainda demonstrou insatisfação com a perda do dinheiro que recebia pelo cargo, pediu ajuda e Queiroz a orientou a não tratar desse assunto por telefone.

A íntegra da conversa foi extraída do celular de Danielle, apreendido pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio, durante a Operação “Os Intocáveis”, desencadeada janeiro deste ano. Um dos mandados de prisão foi justamente contra Nóbrega, que segue foragido.

Para o MP, os valores recebidos por Danielle na Assembleia funcionavam na prática como uma pensão alimentícia, já que não há qualquer indício de que ela, de fato, exercia as funções de assessora parlamentar.

Ela nunca teve crachá na Alerj e recebia um salário de R$ 6.490,35.

A defesa de Queiroz defendeu, por nota, que ele sofre perseguição e que "a senhora Danielle foi convidada por ele a participar do gabinete em razão do trabalho social relevante do qual participa".

Dez dias depois da conversa com Danielle, Queiroz foi para São Paulo iniciar um tratamento de câncer. Faltou a todas as convocações do MP e prestou apenas um depoimento por escrito. Ele passou oito meses sem ser visto e, na semana passada, foi encontrado pela revista Veja no Hospital Albert Einstein, ainda em tratamento.

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