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Dia Mundial da Prevenção do Suicídio (Foto: Ilustração)
Dia Mundial da Prevenção do Suicídio (Foto: Ilustração)

Nesta segunda-feira (10) entidades de diversos países do mundo promovem atividades e ações para marcar o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. A data foi instituída em 2003 pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio para promover o debate, a reflexão e a implementação de ações estratégias para prevenção do suicídio.

Segundo a OMS, a cada ano, 1 milhão de pessoas tiram a própria vida, o que corresponde a uma taxa de mortalidade de 16 por 100 mil habitantes, o mesmo que uma morte a cada 40 segundos. O órgão estima que esse número pode dobrar até 2020. No Brasil, 1 suicídio é registrado a cada 45 minutos, o que equivale a 32 por dia, sendo a quarta maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.

“O suicídio é uma tragédia global, pessoal e também familiar. Uma tragédia silenciosa que, muitas vezes, é uma denúncia de uma crise coletiva. Toda morte fala algo da sociedade em que ela ocorre. Por isso, precisamos pensar o suicídio como problema de saúde pública e em criar políticas públicas que atendam essa demanda”. Assim foi a fala da conselheira Rosane Granzotto, que representou o Conselho Federal de Psicologia (CFP) na audiência pública realizada na última segunda-feira (3) pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal.

A audiência foi solicitada pela senadora Regina Sousa (PT/PI) com o objetivo de discutir sobre o aumento de suicídios no Brasil e quais políticas públicas são necessárias para combater esse quadro. O evento teve também a participação de representantes do CVV (Centro de Valorização à Vida), Ministério da Saúde e da TV Brasil.

A assessora técnica Cinthia Lociks de Araújo, da Secretaria de Atenção em Saúde do Ministério da Saúde, disse na audiência que apesar dos números do Brasil serem considerados baixos se comparados ao resto do mundo, eles eles vem crescendo, enquanto estão caindo em outros países.

Reflexão

Rosane Granzotto, do CFP, apontou dados do suicídio e sua correlação com outros fatores sociais, econômicos e culturais. Segundo ela, nos últimos 40 anos, houve um aumento de 60% em mortes por suicídio no mundo, as quais não podem ser relacionadas apenas a fatores psicológicos.

“Trata-se de um dado impressionante e que precisa ser explicado não apenas em termos psicológicos, mas também sociais. Faz-se necessário refletir sobre esses dados. Trata-se naturalmente de um processo muito complicado que não pode ser reduzido a linhas de determinação simples. Existe uma questão multifatorial que causa esses números”, reforça.

Granzotto explica que, além dos fatores endógenos, tem que se admitir que um aumento de 27,2% dos casos de suicídio, entre 1980 e 2014, implica em considerar também os fatores socioeconômicos e culturais vivenciados pelos sujeitos contemporâneos, citando o capitalismo, a competição e a perda dos vínculos afetivos. “Os vínculos afetivos e humanizados vão se tornando cada vez mais frágeis. A falta de referências nos deixa a deriva, pois tudo é passageiro e substituível e nós também somos. Estamos em um mundo onde sequer somos vistos, pois estamos atrás de um aparelho nos comunicando com ninguém”, questiona.

A conselheira do CFP alertou ainda para as especificidades da população brasileira, como os povos indígenas, os quais registram 132% mais casos de suicídio do que na população geral, bem como a população em situação de rua, trabalhadores rurais, imigrantes, que passam por processos de desenraizamento, população LGBT, e outros.

Para Rosane, o trabalho de prevenção é fundamental, pelo fortalecimento das políticas públicas, especialmente, em saúde da família e na produção de uma rede voltada para crianças e adolescentes, considerando suas peculiaridades e necessidades, e segundo os princípios estabelecidos pelo SUS. “A capacitação dos profissionais envolvidos na prevenção ao suicídio é de suma importância, pois é necessário compreender a movimentação suicida, a ambivalência de desejos, a impulsividade, o estreitamento de possibilidades de saída da situação e os fatores de risco”, ressalta.

Portal Meon apoia campanha


O Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio, é realizado pelo CVV (Centro de Valorização da Vida) desde 2015. O Portal Meon aderiu ao movimento e ao longo do mês de setembro publica matérias e textos disponibilizados pela campanha para ajudarr a sensibilizar a população e estimular o debate e a reflexão sobre o assunto.

Caso sinta vontade de conversar acesse www.cvv.org.br. Caso conheça alguém que precisa de apoio e você não sabe como ajudar orienta a pessoa a procurar o CVV.

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