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Entrevista

Doutor Francisco Assis, diretor do Hospital Geral de Camaçari (HGC)
Doutor Francisco Assis, diretor do Hospital Geral de Camaçari (HGC)

O volume de críticas direcionadas ao serviço prestado pelo Hospital Geral de Camaçari (HGC) reduziu do fim de 2013 para 2014, entretanto, há quem aponte a unidade ainda como “Calcanhar de Aquiles” do município, mesmo sendo o Hospital gerido financeira e administrativamente pelo estado.

Para tratar dessa e outras “anomalias”, apresentando novidades e um breve balanço do serviço realizado pelo organismo em 2013 – marcado por quase 200 mil atendimentos de urgência-, o diretor da unidade, Francisco Assis, resolveu oferecer entrevista ao Camaçari Fatos e Fotos, na primeira semana de janeiro (8),  para ventilar as informações que tem em mãos à população camaçariense, que de acordo com o mesmo, devem surpreender e muito, quem considera que a equipe do hospital trabalha pouco.

Camaçari Fatos e Fotos: O Hospital Geral de Camaçari precisaria de uma interdição para reestruturação, como sugeriu nas últimas semanas, o ex-prefeito de Camaçari, Luiz Caetano?

Dr. Francisco Assis: Não considero esta a solução, até porque uma interdição resultaria numa paralisação da unidade, hospital que supre a maior parte da demanda reprimida da região leste da Bahia, abarcando 24 municípios. Mesmo que no limite de nossa capacidade, mas nós funcionamos. Só em 2013 foram 199.777 atendimentos de urgência, mais de 27 mil internações, cinco mil e oitenta e quatro cirurgias e 8.438 partos realizados. Imagine se este hospital fosse interditado,  o impacto sobre a vidas dessas pessoas que foram atendidas e que só teriam serviço de alta complexidade em Salvador, onde os hospitais também já estão superlotados.

CFF: De que modo o HGC é mais impactado pelo quadro de saúde no estado da Bahia?

Dr. Francisco: Eu reconheço, como já foi divulgado pelo próprio governador do Estado, as dificuldades financeiras que o governo tem passado nestes dois últimos anos, inclusive, com a queda de arrecadações de impostos e tributos e isto tem conseqüências em todos os setores da administração pública. O HGC tem em torno de 25 anos, e durante muitos anos não houve investimentos, o que levou a uma deterioração tanto da parte física estrutural, como de  equipamentos e reposição de pessoal. Desde que estamos aqui, desde o início do governo Wagner, temos feito diversas ações no sentido de reverter este quadro.  Há de convir que é um longo período para se recompor. Essas dificuldades, elas resultam em queda da produção do hospital. O sistema de creditação hospitalar sinaliza que a cada cinco anos, as unidades precisam de renovação hospitalar total e isso não foi observado aqui.

CFF: Qual é a real condição do Hospital Geral de Camaçari e por que se chegou a esta realidade?

Dr. Francisco: Com a taxa de ocupação acima de 75%, segundo o sistema da federação hospitalar, toda vez que se exerce um serviço superior a sua capacidade, todas as rotinas hospitalares são quebradas, desorganiza-se o ambiente de trabalho. Nenhum hospital pode ter bom desempenho atuando acima da capacidade instalada, afetando os funcionários e servidores, principalmente no quesito empatia, muitas vezes levando ao estresse, por conta da sobrecarga, tendo como conseqüência reclamações do público.

A desorganização e oferta insuficiente de serviços de atenção básica, primária, em Camaçari e por toda Região Leste, levam ao acúmulo de demanda e superlotação do setor de emergência do HGC, caracterizando a assistência hospitalocêntrica, ou seja, concentrando mais a demanda no hospital, quando deveria ser ao contrário, a atenção básica tem que ficar desconcentrada nos centros da unidade básica de saúde, como UPAs, UBS, Postos de Saúdes, dentre outros, para depois chegar no hospital. O HGC é um hospital estadual e regional para média e alta complexidade, atuando na região leste do estado, abarcando 24 municípios; deve ser o hospital de retaguarda para baixa e média complexidade para pacientes destes municípios. Todo município de gestão plena deve ter hospital municipal para atendimento desta demanda até média complexidade e o fato é que Camaçari não tem um hospital municipal para atender a esta demanda reprimida, desafogando todos os casos no HGC.

Outro fato que contribui decisivamente para a superlotação do HGC é a diminuta quantidade de convênios da Secretaria de Saúde Municipal com unidades de saúde hospitalares de Camaçari. Se houvessem tais convênios, boa parte dos pacientes de média complexidade poderiam ser atendidos por essas clínicas, entretanto, como se há um volume baixíssimo destes convênios firmados com a Sesau, por conta de vários fatores, esta demanda também recai sobre o HGC.

CFF: Pode-se dizer que boa parte dos municípios da região Leste da Bahia tem alto grau de dependência do HGC?

Dr. Francisco: Com certeza. Até porque a carência nesta região é a maior no estado, como afirmou relatório do  PDR, apontando esta região, da qual o HGC faz parte, como a mais deficiente no que diz respeito à atenção básica/primária, no estado da Bahia. Ou seja, o HGC por ser o único da região que atende alta complexidade, excetuando unidades de Salvador, recebe toda esta demanda da região, tendo ainda que abarcar pacientes de baixa e média complexidade, principalmente, de Camaçari, que poderiam ser atendidos na própria cidade, se existisse um hospital municipal ou se a atenção básica do município fosse eficiente.

Para ilustrar, vale ressaltar que no mês de novembro de 2013, o número de pacientes internados no HGC externos à Camaçari [52] superou expressivamente o volume de pacientes internos [35], afirmando este quadro de grande dependência dos municípios circunvizinhos e de toda região Leste, dos serviços do Hospital. Já no que tange aos atendimentos ambulatoriais, grande parte dos quais, alinhados à margem de classificação de risco, poderiam ser atendidos em hospitais de média complexidade, o volume de pacientes foi de 9.762. ou seja, quase dez mil pacientes que poderiam ser assistidos por unidades que atendam média complexidade, recaíram sobre as “costas” do Hospital Geral de Camaçari.

CFF: Quais são as principais deficiências, atualmente, do HGC?

Dr. Francisco: Nossa principal deficiência hoje é no setor de enfermagem.  A velocidade da saída de pessoal é bem maior do que a de reposição, então nós temos setores carentes e ainda houve redução do número de leitos. Por exemplo, quando começou a ser feita a cobertura/telhado do Hospital em setembro de 2012 – depois de 23 anos de inauguração -, foi preciso que a gente fechasse as enfermarias progressivamente; fechando uma de cada vez, para realizar a obra em cada setor. Quando foi em maio de 2013, no término da obra, com saída de pessoal – por vários motivos, como morte, aposentadoria, incapacidade e transferência-, terminou que a gente não teve pessoal para abrir uma das enfermarias, reduzindo de 155 para 125 leitos, o atendimento da unidade.

Além do setor de enfermagem, como até já falei, outro área impossibilita o melhor atendimento no HGC é a de tomografia, pois o aparelho que temos já está ultrapassado com 15 anos de utilização, sendo que nem a empresa que detém a marca dele, deseja fazer manutenção, mas já tenho notícias de chegarão seis aparelhos novos no estado e que um vai ser deslocado pra cá. Além disso, tem a falta de informatização na unidade que torna lenta e precária toda comunicação interna do Hospital, junto com a falta de profissionais da área de radiologia. Mas para esta última deficiência, já há uma solução prevista, pois ainda em janeiro, todo setor de Bioimagem da saúde pública baiana deve ser administrado por empresa específica.

CFF: E sobre as ventilações sobre municipalização do HGC e a proposta de construção da nova maternidade, o que tem a dizer?

Dr. Francisco: Há duas linhas de pensamento sobre este assunto. O secretário de Saúde, Vital Sampaio,  defende a municipalização do HGC e criação de um hospital na orla de Camaçari, de média e alta complexidade. Mas o governo do estado tem outra vertente, que seria na linha da construção de um hospital na orla municipal de caráter regional, e uma maternidade separada, o que desafogaria boa parte do atendimento, tornando mais específica a assistência às gestantes do município, o que desafogaria expressivamente a ocupação de leitos do HGC, que hoje ocupa em torno de 35% dos leitos com essa especialidade, e ainda presta atendimento a partos de todas as naturezas, sendo que deveria atender prioritariamente, partos de alta complexidade.

 

 

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