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Jornalista e apresentadora da TV Bahia Jéssica Senra, 36 anos (Foto: Reprodução)
Jornalista e apresentadora da TV Bahia Jéssica Senra, 36 anos (Foto: Reprodução)

Apresentadora da TV Bahia embarca nesta quarta-feira (4) para o Rio, onde comandará o Jornal Nacional

Antes de embarcar para o Rio de Janeiro, onde assumirá a bancada do Jornal Nacional (JN) por um dia, a jornalista e apresentadora da TV Bahia Jéssica Senra, 36 anos, bateu um papo com o CORREIO onde contou seus preparativos para a estreia, confessou ficar nervosa ao virar notícia e falou sobre o comentário gordofóbico que fez essa semana: “Me sinto envergonhada”.

Jéssica embarca nesta quarta-feira (4) de manhã para o Rio onde grava uma série de programas-piloto antes de estrear no JN, próximo sábado (7), ao lado de Ayres Rocha, do Acre. Aquecer a voz, se hidratar bem e fazer nebulização para não deixar o resfriado tomar conta foram alguns dos cuidados da jornalista, que também caprichou no cabelo, na postura, nas unhas e chegou a mencionar uma dieta “para estar no padrão” e “caber na televisão”.


O comentário, porém, não foi bem recebido por seus seguidores, que acusaram Jéssica de gordofobia. “Inconscientemente, o que estou dizendo é que só me sentiria bonita estando mais magra. Então foi muito chocante pra mim”, conta a jornalista, sobre o momento em que se deu conta de que tinha sido preconceituosa.

“Tenho dois sentimentos, hoje, em relação àquela postagem: um, vergonha mesmo, constrangimento, me sinto envergonhada de ter colaborado de alguma forma para essas opressões às quais estamos todos submetidos. Mas também estou extremamente grata, porque foi a partir dali que consegui mudar uma chave dentro de mim e perceber que eu preciso trabalhar isso, essa autoaceitação também”, confessa Jéssica. Confira entrevista completa.

Quando soube que foi selecionada, você se referiu ao JN como “o jornal mais importante do meu país”. Como é sua relação afetiva com o programa?
É inegável que o Jornal Nacional é referência em telejornalismo, seja para os brasileiros, que se informam através dele por 50 anos de história, seja para o jornalista. Até para quem quer criticar alguma coisa, né? É sempre o principal alvo, porque é o mais importante, é o que incomoda mais. Incomodar é um pouco a função do jornalista, né. É aquele jornal que precisa fiscalizar o poder público e desagradar alguns poderosos. É parte da essência do que é o jornalismo.

Eu particularmente cresci assistindo ao Jornal Nacional. Sempre assisti, mesmo quando estive em outras emissoras. Então, pra mim, estar naquela bancada tem um valor muito especial, é como fazer parte dessa história tão rica. Levar o sotaque baiano, representar minha Bahia, está sendo um orgulho imenso e indescritível.

O programa vai ao ar no sábado (7), mas você já embarca para o Rio na quarta-feira (4). Pode contar um pouco sobre os preparativos?
Já embarco nessa quarta-feira (4) de manhã cedo, à tarde já tem um encontro com a equipe do Jornal Nacional e vamos gravar programas-piloto na quarta, na quinta, na sexta. O ‘piloto’ serve para que o apresentador novo se familiarize com a equipe, com o cenário, com as movimentações de câmeras. São programas como se fossem ao vivo, mas gravados, pra gente ter entrosamento. Diante da importância do Jornal Nacional, a gente precisa estar bem seguro do que está fazendo. De resto, estaremos ali conhecendo um pouco mais sobre o Jornal Nacional, colaborando de alguma forma. Se tiver alguma reportagem, alguma coisa que precise ser gravada, editada, eu sou dessas que gosta de botar a mão na massa. Se precisarem de ajuda ali, estou à disposição.

Quais cuidados teve com o corpo?

Meus preparativos particulares envolveram trabalho com fono [fonoaudiólogo], porque o que faço no Bahia Meio Dia é diferente do que se faz na bancada do Jornal Nacional. O BMD é um jornal solto que tem muito improviso, o JN não, é um jornal mais clássico, que não tem espaço para esse improviso, embora tenha espaço para uma comunicação próxima, leve. Então é encontrar esse equilíbrio. Tive que ir no otorrino [otorrinolaringologista], porque amanheci um pouquinho resfriada, então recebi algumas orientações especiais: fazer nebulização, aquecer bem a voz, hidratar bastante para que a voz esteja 100% no próximo sábado. Tive outras preparações na volta das férias, como fazer unha, cabelo, essas coisas que a gente que trabalha com imagem acaba tendo que se preocupar também, porque queremos estar impecáveis para representar nossa Bahia da melhor forma possível.

Na semana passada, os primeiros apresentadores foram recebidos na véspera da estreia por Bonner. Já sabe como será o processo com vocês?
Não sei como vai ser com a gente, mas imagino que vá ser da mesma forma, com essa participação na sexta-feira. Deve ser mais para apresentar a gente, para que a gente não caia de paraquedas no sábado, já que o Brasil inteiro não nos conhece. Achei muito gentil. Embora estar na posição de entrevistada, para mim, seja um pouco desconfortável. Estou acostumada a ser a entrevistadora, então estar nessa posição de ser notícia ainda é algo que eu preciso aprender a lidar. Me dá mais nervoso, inclusive, pensar na apresentação de sexta-feira do que a apresentação do jornal, no sábado (risos). Mas é isso, é parte do processo, acho muito gentil da parte deles, tanto para nós que estamos chegando, tanto para o público também, que vai nos receber na casa deles.

Qual é sua expectativa em relação à apresentação do JN ao lado de Ayres Rocha, no dia 7 de setembro? Já conhecia o trabalho dele?
Confesso que não conhecia o trabalho de Ayres. Em abril, a gente teve um encontro de apresentadores, mas foram pessoas do Jornal da Manhã e Meio Dia. Ayres faz o jornal noturno, então não nos conhecemos ali. Descobri ele quando se tornou meu par nessa missão linda do 7 de setembro. Eu tô em uma expectativa muito grande, ele parece ser uma pessoa experiente, sobretudo nesse quesito bancada, então isso traz sempre um pouco de segurança pra gente. Fiquei muito feliz, porque ele é da região Norte e o Acre e a Bahia têm muita coisa em comum. Acho que a força ‘Norte e Nordeste’ como a segunda dupla que vai apresentar o Jornal Nacional tem um significado especial.

Recentemente, você comentou que “precisa estar no padrão para caber na televisão” e, por conta disso, recebeu críticas. O que quis dizer com essa frase?
Fiquei muito feliz com esse fato, embora constrangida e um pouco envergonhada, porque logo que eu recebi a crítica, eu não entendi. Na minha cabeça, de alguma forma, a gordofobia tinha a ver com a não aceitação do outro, com a opressão ao outro, e quando falei sobre minha experiência, eu falava sobre mim, sobre as minhas cobranças pessoais, não achei que aquilo poderia ter ofendido alguém. Mas eu segui conversando com as meninas [entre elas, a consultora de imagem Kika Maia e a ativista contra a gordofobia Carla Leal] e acho que a gente precisa ter humildade para ouvir as críticas e ponderar se elas realmente fazem sentido, como naquele momento, porque às vezes a gente não tem a capacidade de compreendê-las. Conforme fui conversando com as meninas, eu percebi que faz total sentido.

Aí veio meu constrangimento, porque nunca me imaginei gordofóbica.

Luto diariamente pela necessidade da gente respeitar o outro do jeito que ele é, luto pela necessidade da gente enxergar a beleza na diversidade, e isso não é só da boca pra fora, sabe, é um exercício diário mesmo. E só aí me dei conta de que luto muito pelo outro, mas esqueço de mim e acabo me fazendo cobranças que às vezes eu nem faço ao outro.

Ao mesmo tempo, quando publico um vídeo dizendo que “vou emagrecer para estar bonita na televisão”, claro, hoje está óbvio pra mim que isso é uma forma de oprimir o outro. Inconscientemente, o que estou dizendo é que, só me sentiria bonita estando mais magra. Então foi muito chocante pra mim perceber.

Depois eu troquei mensagens com as meninas inbox, a gente trocou primeiro nos comentários, mas depois inbox nós conversamos muito. Em alguns momentos eu me emocionei demais, porque isso mexe profundamente comigo e eu não sabia o quanto. Então, tenho dois sentimentos, hoje, em relação àquela postagem: um, vergonha mesmo, um constrangimento, me sinto envergonhada de ter colaborado de alguma forma para essas opressões, as quais estamos todos submetidos, mas também estou extremamente grata, porque foi a partir dali que consegui mudar uma chave dentro de mim e perceber que eu preciso trabalhar isso, essa autoaceitação também. E que preciso ser extremamente vigilante, diante da posição que tenho de falar pra muita gente, de ser ouvida por essas pessoas, de cuidar do que eu falo pra não continuar alimentando esses padrões que são opressores para o outro e para mim também.

Você se cobra muito?

Essa troca me ajudou a entender que a gordofobia não é só quando você aponta o dedo para o outro, mas quando você se cobra também. Essa cobrança, pra mim, existe. Eu trabalhava como modelo e, pra mim, uma das coisas mais traumáticas desse período eram os castings em que a gente desfilava de biquíni e éramos medidas com fitas métricas para saber se estávamos no padrão. E um quadril acima de 90 cm, naquela época, era razão pra você estar fora dos desfiles mais concorridos. Então foi muito traumático. Você imagina o que era para uma adolescente 13 anos passar por isso? Deixa marcas profundas. Depois, com o jornalismo, também passei a sentir essa opressão, que é da sociedade.

Basta eu ganhar peso pra ter gente insinuando que eu estou grávida, por exemplo, quando não é totalmente deselegante de dizer que eu estou gorda, que eu subi muito peso, aquela coisa de “aparentemente estou preocupada com você”, mas não é coisa nenhuma, é a coisa da imposição.

Em outros lugares onde trabalhei, já fui chamada a atenção, quando ganhei peso, dizendo claramente que precisava emagrecer. Para uma mulher que sempre investiu na educação, no conhecimento, no desenvolvimento pessoal, na comunicação, no próprio talento, que conseguiu se destacar dentro do seu meio, perceber que não importa se você é uma das melhores profissionais na sua área, a sua aparência vai contar. A forma do seu corpo é imposta por outros. Então, isso mexe muito comigo, são questões muito profundas que percebi durante essas críticas que eu preciso trabalhar.

Todos nós temos a obrigação de nos desconstruirmos das imposições da sociedade. A gente tem que se desconstruir do machismo, do racismo, da homofobia, da gordofobia, isso passa por esses questionamentos.

Esses valores são colocados dentro de nós de forma que a gente nem percebe. E veja que o discurso que eu fiz tinha muito da opressão que eu abomino e que eu quero liberar da minha vida. Então, aquilo ali foi muito importante pra essa desconstrução, pra eu perceber que preciso cuidar daquilo principalmente dentro de mim. Olhar para minhas cicatrizes, olhar pra dentro dessas questões mais antigas.

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