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Ciência e Tecnologia

A dinâmica adotada pela TruckPad é semelhante a do Uber, com algumas diferenças inerentes às demandas específicas do setor de transporte de cargas (Foto: Reprodução)
A dinâmica adotada pela TruckPad é semelhante a do Uber, com algumas diferenças inerentes às demandas específicas do setor de transporte de cargas (Foto: Reprodução)

Você provavelmente já ouviu falar que a maior empresa de transporte de passageiros do mundo, a Uber, não possui nenhum veículo para esse fim. A maior empresa de transporte de carga da América Latina também não.

A brasileira TruckPad é uma start-up que nasceu em 2012 e começou a operar em 2013. A ideia surgiu em 2011, quando Carlos Mira, empresário com vasta experiência no setor de transporte de cargas, foi visitar o Vale do Silício, ao lado de João Dória, atual governador de São Paulo.

Na época, narrou o empresário em entrevista concedida em 2020 à Isto É Dinheiro,  ele conheceu o modelo Uber de negócio. Ao voltar para o Brasil, vendeu sua participação na empresa da família, onde atuava desde os 15 de idade, e usou seu conhecimentos novos e antigos para iniciar a empresa digital brasileira que hoje é a considerada a maior da América Latina em intermediação de mão-de-obra no setor de cargas terrestres.

Ligando os pontos

A dinâmica adotada pela TruckPad é semelhante a do Uber, com algumas diferenças inerentes às demandas específicas do setor de transporte de cargas: a empresa oferece o aplicativo e atua em duas frentes convergentes; para transportadoras, oferece o serviço de localizar caminhoneiros com veículo adequado ao tipo de cargas que a empresa tem, rastreamento da rota, entre outros; para os caminhoneiros, oferece as cargas disponíveis.

Assim, apesar de ser uma gigante do setor de transporte de cargas, a empresa de Mira é, na verdade, uma empresa que atua no setor de big data, ou seja, gestão de informação, já que não possui caminhões e nem motoristas no seu quadro de funcionários.

Caminhoneiro autônomo

Na entrevista supracitada, o próprio Mira destaca quem é o caminhoneiro, na cena: nas palavras do empresário, o maior empreendedor do país. "Vale lembrar que ele compra o próprio caminhão, paga a parcela do caminhão, durante o dia ele carrega mercadoria e durante a noite ele coloca sua vida em risco para transportar essa carga. É uma das maiores categorias praticamente informais do país", afirmou, em tom de quem ressalta algo positivo.

A conta não fecha

O que mais chama atenção, no entanto, são os números da TruckPad. Na mesma entrevista, concedida há seis meses, Mira revelou que tinha cerca de 1 milhão de motoristas cadastrados na sua plataforma, dos quais 500 mil estariam ativos. No entanto, naquele período, a empresa havia intermediado 300 mil fretes em um mês: ou seja, uma média de 1,67 frete por mês, para cada condutor ativo.

Atualmente, no site da empresa os números são ainda menos animadores: 100 mil fretes por mês.

Em defesa de Carlos Mira, fundador e CEO da itermediária, vale dizer que ele demonstra preocupação genuína com o bem estar dos caminhoneiros. Falando sobre as dificuldades enfrentadas por esses profissionais, ele aponta um dos problemas destacados por Jurair Pinheiro, diretor do Sindicato dos Transportes Autônomos de Bens de Feira de Santana e Região (Sintracam), em entrevista exclusiva ao CFF.

"Eles estão, na sua rotina diária, socialmente isolados dentro de uma cabine de caminhão. Ele não tem contato com ninguém, só eventualmente quando para almoçar, para abastecer. Muitos deles, depois de 15 anos trabalhando como motorista de transportadora, compraram o caminhão que dirigiam na empresa", comentou Mira.

No entanto, essa preocupação parece não se refletir na vida e no faturamento dos motoristas "parceiros" da plataforma. Questionado pelo CFF se conhecia a TruckPad, Jurair, que é formado em Direito mas escolheu trabalhar como caminhoneiro durante os últimos 20 anos, revelou que não considera o negócio atrativo.

"Eles são como a Uber: você baixa o aplicativo e eles meio que alugam seu caminhão, mas pagam muito pouco. Eu não trabalho com essa empresa", declarou.

Os números divulgados pela empresa em seu próprio site levam a crer que muitos profissionais compartilham da opinião de Jurair, já que a média de fretes intermediados corresponde a apenas 10% do número de profissionais cadastrados na plataforma.

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