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Creche Comunitária Esperança da Estiva, em Camaçari, atende 120 crianças (Foto: Nara Gentil/CORREIO)
Creche Comunitária Esperança da Estiva, em Camaçari, atende 120 crianças (Foto: Nara Gentil/CORREIO)

Creche Comunitária Esperança da Estiva atende 120 crianças

A ordem é a seguinte: triagem e higienização, retirada de botões e zíperes e, finalmente, é dado o destino criativo. As fardas usadas pelos funcionários da Concessionária Litoral Norte (CLN) acabam por virar, nas mãos de Eliete Faustino, 64, desde lençóis até bonés, tapetes e necessaires. Mas, ela não conseguiria fazer tudo sozinha e, por isso, tem a ajuda de 40 mulheres que trabalham na oficina de costura. É que dona Eliete se une na vida dupla de costureira e pedagoga.

Aliás, uma coisa só é possível devido à outra. Nos fundos da Creche Comunitária Esperança da Estiva, em Vila de Abrantes, no município de Camaçari, é onde elas se reúnem para realizar o ofício. Vinte pela manhã e outras 20 pela tarde. E, entre elas, as 120 crianças que são assistidas pelo centro educacional. Se você já achou tudo isso impressionante, é porque ainda não conhece a história da responsável por trás.

Com a primeira formação no ensino superior aos 55 anos, dona Eliete começou na creche há pouco mais de 15. Antes disso, trabalhava como secretária em uma empresa e tinha um curso técnico em Administração. Um dia, foi chamada à creche para fazer o trabalho voluntário de ensinar mulheres de baixa renda a bordar.

“Com uma linha, uma agulha e uma placa na porta de casa que diz ‘Faço reparo de roupas’, ninguém passa fome”, costuma dizer.

De repente, recebeu também o convite para assumir uma sala de aula. “Eu disse: ‘Não, gente. Não fiz pedagogia, não fiz nem magistério’. Mas, me disseram que eu tinha jeito. Fiz o curso de pedagogia e me apaixonei pela Educação Infantil”.

Hoje, responsável pela instituição, ela conta que tem o objetivo de atender pessoas em situação de vulnerabilidade social e buscar a sustentabilidade da própria creche, que nem sempre conta com doações. “Queremos chegar ao ponto de conseguir gerar mais recursos próprios, será ótimo para podermos fazer manutenção de equipamentos e reforma”.

Por enquanto, o local vai sobrevivendo ao custo de pequenos atos aqui e acolá. Em 2016, a creche foi contemplada com máquinas, inclusive de bordar e sublimar, através de um projeto. Em 2018, uma parceria com uma instituição que promove capacitação profissional resultou nas 40 mulheres inscritas em oficina de costura industrial. Em 2019, um novo projeto permitiu a captação de recursos para a aquisição de equipamentos domésticos, tornando possível o início do que chama de “costura criativa”. Ainda em 2019, de olho no carnaval, a CLN, em parceria com o Senac Bahia, realizou com o grupo uma oficina de customização de abadás.

Em recente visita à creche, técnicos da CLN sugeriram a transformação das fardas usadas. A primeira remessa, contendo 30 kg de material, foi recebida em março deste ano. A segunda, recebida em julho, tinha 200 kg.

“Unimos o útil ao agradável. A dimensão de fortalecer o relacionamento comunitário de geração de renda e a forma mais inteligente do nosso resíduo do fardamento ser utilizado de forma sustentável faz do projeto algo que ficamos felizes de apoiar na região”, comentou o coordenador de recursos humanos, comunicação e sustentabilidade da CLN, Loran Santos.

Dona Eliete diz que a pandemia e a necessidade de realizar tarefas paralelas para manter a creche fizeram com que as coisas não saíssem no tempo que ela esperava, mas que vem utilizando o WhatsApp para divulgar os produtos. Até o momento, já foram feitos produtos de mostruário que ela e as costureiras pretendem expor, além de 100 necessaires, cujos forros foram feitos a partir da reutilização dos trajes. Cada estojo foi vendido por R$ 10 e o valor foi distribuído entre as costureiras.

Como ajudar?

Inaugurada há 18 anos, a Creche Comunitária Esperança da Estiva atende, atualmente, 120 crianças de 3 a 5 anos em tempo integral. Além disso, 40 crianças, adolescentes e jovens, com idades entre 6 e 20 anos também são atendidos através de cursos que ocorrem no turno oposto ao da escola. Estão envolvidos no trabalho: cinco professoras, uma coordenadora pedagógica, um auxiliar de serviços gerais e uma cozinheira. Todos os dias a creche conta com o trabalho voluntário das mães de alunos. Interessados em ajudar podem entrar em contato através do telefone (71) 98139-4712.

Ao todo, 40 costureiras transformam fardas em novas peças (Foto: Nara Gentil/CORREIO)
Ao todo, 40 costureiras transformam fardas em novas peças (Foto: Nara Gentil/CORREIO)

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