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Camaçari comemora 261 anos de emancipação (Foto: Reprodução)
Camaçari comemora 261 anos de emancipação (Foto: Reprodução)

A História da ocupação do território de Camaçari nos remete aos primeiros anos da colonização, quando em 1558, foi criada a Aldeia do Divino Espírito Santo pelos padres Jesuítas reunindo índios das várias aldeias tupinambá, ao redor de uma capela de taipa sob o comando do padre João Gonçalves e o Irmão Antonio Rodrigues às margens do Rio Joanes.

A consolidação do domínio Tupinambá nos oito mil anos de história indígena, sua dispersão no litoral e constantes conflitos com os denominados Tapuias e posterior relação com as populações marginalizadas do processo produtivo (quilombolas) ainda estão por ser estudados.

Em 1562 na Igreja de “Santos Spiritus” ajuntaram sete aldeias, com mil almas cristãs. Há indícios que esses índios tenham participado da “guerra do Paraguaçu”, apesar de serem tupinambá, assim como os índios do Vale do Paraguaçu (região onde é hoje o povoado de São Francisco de Iguape, pertencente a Cachoeira) e mais tarde já entre 1624 – 1640, os índios da aldeia do Espírito Santo participaram da luta contra invasão holandesa, juntamente com o pessoal da Casa da Torre (hoje pertencente ao município de Mata de São João) o que fez crescer o índice de mortalidade por razias e sucessivas epidemias e fome. Registrando-se antes mesmo da expulsão dos Jesuítas no governo do Marques de Pombal em 1755.

Após a expulsão dos Jesuítas a Aldeia passou à categoria de Vila por provisão do conselho Ultramarino, Alvará Régio de 27 de setembro de 1758, denominando-se Vila Nova do Espírito Santo de Abrantes - Vila de Abrantes - com a Inauguração da Casa da Câmara e cadeia municipal (senado da Câmara e Pelourinho).

A vila foi extinta em 1846 pela Resolução provincial nº 241, de 16 de abril, sendo integrada ao município de Mata de São João. Em 1848 foi restabelecida pela Resolução nº 310, de 3 de junho, tendo o território desmembrado de Mata de São João.

Entre o século XVIII e XIX tem-se a administração da Marquesa de Niza, através de Tomas da Silva Paranhos, que enviava juros e rendas (enfiteuses e laudêmios) até adquirir a propriedade. Este latifundiário deixou 9 herdeiros, entre eles Maria Joaquina da Silva Paranhos, casada com José Garcez Montenegro de quem descende o desembargador Tomas Garcez Paranhos Montenegro.

No final do século XIX com a expansão da malha ferroviária baiana, cujas principais diretrizes eram a integração com o recôncavo e a região do São Francisco, onde Camaçari está estrategicamente situada entre as duas bifurcações (uma em Simões Filho em direção ao recôncavo e Alagoinhas, onde a estrada toma neste ponto outras duas direções – Médio São Francisco e Litoral Norte).

Abrantes, cuja importância se devia a ocupação pelos Jesuítas e limitada exploração agrícola nas terras da Marqueza de Niza perdeu importância econônomica em relação ao desenvolvimento que o interior passou oferecer, a sede do município passa a ser em Parafuso (tendo posteriormente a construção da estação de trem). Por força política houve o retorno da sede para Abrantes em 1892.

A primeira composição administrativa (municipal) de Vila de Abrantes (sede), abrangia os distritos de Abrantes, Monte Gordo e Ipitanga (atual Lauro de Freitas). A lei municipal de 22 de março de 1920 criou o distrito de Camaçari, com território desmembrado de Abrantes, criação essa, confirmada pela Lei estadual nº 1422, de 4 de agosto desse mesmo ano.

A lei estadual nº 1809, de 28 de julho de 1925, modificou-lhe o topônimo para Montenegro (em homenagem ao Desembargador Tomas Garcez Paranhos Montenegro) e transferiu-lhe a sede para o arraial de Camaçari, elevado a categoria de vila. Mas em 1938, em razão do Decreto-lei estadual nº 10.724, de 30 de março de 1938, em que todos os municípios passaram a ter o nome de suas respectivas sedes, o município passou a denominar-se Camaçari, constituindo-se dos distritos de Camaçari, Abrantes, e Monte Gordo. Incluindo as localidades, Parafuso e Dias d’ Ávila que foi elevada à categoria de Vila e Distrito em 1953 (lei nº 628 de 30 de Dezembro de 1953).

Lauro de Freitas em 1880 passou integrar o distrito de Montenegro, atual Camaçari. Em 1932 retornou a Salvador.

Em 1957 estimava-se 4300 habitantes, caracterizou-se como a principal cidade de veraneio da região pela excelência de suas águas minerais.

A separação do Distrito de Dias d’Ávila, transformado em município segundo Lei Estadual nº 4404 ocorreu em 25 de dezembro de 1985 reduzindo a área de Camaçari para 773 Km2.Existem tendências separatistas para a desagregação do distrito de Vila de Abrantes. A lógica da agregação e desagregação em unidades administrativa municipais, bem como a distribuição demográfica em localidades, arruados, aldeias, arraiais, vilas, distritos e municípios, ainda precisa ser melhor esclarecido.

Passou a existir na região um padrão de ocupação a partir da agricultura de sobrevivência, roças, arruados, chácaras e sítios. Existindo no município, hoje, aglomeração de populações de remanescentes de quilombo.

O Município possui sobrevivências africanas da capoeira de Angola, candomblés e artesanatos, onde percebemos as influências indígenas numa fusão com as africanas. Estão presentes no município as etnias Bantus e Yorubás na sede e Orla.

As mais intensas transformações das paisagens e populações do município se dão a partir da década de 70, quando se inicia o processo de implantação do Pólo Petroquímico e mais tarde com a implantação da Ford e Pólo de Apoio (2000) além da construção da estrada litorânea que liga o estado da Bahia a Sergipe.

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