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As investigações da Polícia Civil dão conta de que o casal foi morto pelo próprio filho (Foto: Reprodução)
As investigações da Polícia Civil dão conta de que o casal foi morto pelo próprio filho (Foto: Reprodução)

Crime aconteceu em Camaçari; suspeito está preso mas nega crime

As mortes do policial militar da reserva Rinaldo César Bezerra, 62 anos, e de sua esposa, Raimunda da Conceição Souza, 45, assassinados a golpes de facão, na tarde desta segunda-feira (1º), em Camaçar, já têm uma possível motivação.

As investigações da Polícia Civil dão conta de que o casal foi morto pelo próprio filho, Marcos Vitor Bezerra, 22, porque não aceitava o relacionamento do jovem com uma mulher, de identidade não informada. Em entrevista ao CORREIO, na noite desta quarta-feira (3), a titular da 26ª Delegacia (Vila de Abrantes), delegada Danielle Monteiro, responsável pelas investigações, afirmou que Marcos negou a autoria do crime.

“Disse que não foi ele, negou, mas nós não temos dúvidas. Temos, inclusive, muitas provas de que ele cometeu o crime. Agora só precisamos fechar mais alguns detalhes para a conclusão”, destacou Danielle, ao citar que Marcos Vitor já está no Complexo Penitenciário de Mata Escura, em Salvador.

O jovem foi preso em flagrante por agentes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na noite do dia em que cometeu o crime, após dar entrada no Hospital Geral do Estado (HGE), para onde foi socorrido após ser espancado por moradores da Chapada do Rio Vermelho. A informação da polícia é que ele teria fugido para o local após cometer o crime, mas, ao chegar, acabou reconhecido pela população.

“Ele tinha conflitos anteriores com os pais. Rinaldo, especificamente, não gostava do namoro dele com essa moça, não queriam que ela frequentasse a casa, mas ainda não tenho detalhes dessa parte, estamos investigando a possibilidade de haver outras pessoas envolvidos, como um mentor ou mentora intelectual, vamos apurar”, acrescentou Danielle Monteiro.

Ainda segundo a delegada, Marcos é o filho mais novo do relacionamento do casal, além do primogênito, que mora em São Paulo. Rinaldo, no entanto, deixa filhos de casamentos anteriores.

Mortes
O crime aconteceu pouco depois do meio-dia desta segunda, na Rua da Viola, na localidade de Coqueiro de Arembepe. O local é uma região de chácaras e sítios, de difícil acesso em função de trechos de mata fechada e estrada de barro.

"A gente estranhou a fumaça que saia do telhado da casa e acionamos o Corpo de Bombeiros. Quando um dos bombeiros tentou pular o muro, avisamos que na casa tem um pitbull, mas o animal estava preso e inquieto", contou um vizinho entrevistado pelo CORREIO na manhã desta terça-feira (2).

Ele contou que os bombeiros demoraram cerca de 45 minutos para conter as chamas que estavam no andar superior da casa. Somente com o controle do fogo que os corpos foram encontrados.

"Estavam amarrados num edredom com vários cortes de facão. Algo terrível de se ver e acreditar que foi o próprio filho que fez uma barbaridade daquela com os próprios pais", declarou o vizinho. O casal apresentava marcas de facão por todo o corpo. Disse, ainda, que apenas os três costumavam ficar no imóvel.

"Não vimos ninguém além deles. A casa era sempre frequentada pelo casal e o filho", contou. Quando perguntado se sabia que o rapaz era usuário de drogas, o morador se mostrou surpreso. "Estou sem entender. Nunca soube de envolvimento dele, nem que ele andasse com os meninos daqui, que são dessas coisas. Pelo contrário. Sempre o vi com os pais numa picape ou passeando com o carro", declarou.

Um outro conhecido da família, sem se identificar, disse ao CORREIO que o casal e o filho passaram a com mais frequência à casa há cerca de um ano. Eles moravam em Salvador e tinham o imóvel como local de veraneio.

“Foi quando começaram a ser vistos com mais vezes por aqui. Aproveitaram para fazer uma reforma. Ele e a mulher (casal) eram de falar muito pouco. Davam ‘bom dia’, ‘boa tarde’, mas não eram de conversas, de parar num bar, de socializar. Eram muito fechados, assim como o filho”, disse. 

Peritos do Departamento de Polícia técnica (DPT) encontraram uma vasilha de álcool e um galão de gasolina. "Provavelmente usados para pôr fogo na casa, mas só a perícia dizer", declarou a delegada.

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