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Polo Industrial é responsável por 15 mil empregos diretos (Foto: Divulgação/ Cofic)
Polo Industrial é responsável por 15 mil empregos diretos (Foto: Divulgação/ Cofic)

Quando o Polo Industrial de Camaçari foi instalado, em 1978, o objetivo era atrair novos investimentos para a região. Hoje, 40 anos depois e com mais de 90 empresas instaladas no local, o Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic) está fazendo um estudo para identificar novas oportunidades de crescimento e apontar os entraves para o desenvolvimento da região.

Durante entrevista na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), na manhã desta quarta-feira (7), o superintendente do Cofic, Mauro Pereira, informou que o estudo faz parte de uma agenda positiva permanente. As oportunidades e ameaças que forem identificadas serão trabalhadas ao longo dos próximos anos. “Esse levantamento foi feito na origem, durante os 30 anos do Polo e estamos fazendo novamente”, afirmou.

Ele contou que as empresas que integram o Polo listaram alguns pontos que consideram importantes para o desenvolvimento da região, e que essas demandas estão passando por uma triagem. Somente após fazer a análise dessas questões, o Cofic vai traçar as metas dos próximos anos. O estudo será concluído em julho.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos para Fins Industriais, Petroquímicas e de Resinas Sintéticas de Camaçari (Sinpec) e membro da Fieb, Roberto Fiamenghi, participou da reunião representando as duas instituições e destacou que o último estudo realizado gerou diversos benefícios para o Pólo, além de novos investimentos.

“Há dez anos nós também fizemos uma agenda de propostas para os governos estaduais e federais e os resultados foram muito satisfatórios. As estradas que serviam ao polo eram muito precárias e, atendendo aos nossos pedidos, essas estradas foram duplicadas. Nós fizemos uma solicitação de retenção de ICMS no estado, com valores altíssimos, e também foram dadas soluções. Então, foi muito importante essas nossas propostas. Agora, estamos novamente pensando no futuro”, disse.

O estudo sobre a competitividade do Polo vai envolver acadêmicos e especialistas, será conduzido pelo SENAI Cimatec e está sendo patrocinado por 15 empresas vinculadas ao Cofic. O documento será concluído em julho e entregue ao governo do estado. Ele também vai abordar questões ligadas ao meio ambiente, como a reutilização de água.

Oportunidades X ameaças
O superintendente do Cofic acredita que o setor petroquímico é um dos que apresentam grandes oportunidades para o crescimento porque muitos itens usando pelas empresas da área não são produzidos na Bahia. Ele também destacou a necessidade da diminuição da carga tributária para atrair novos investidores.

“Quando a gente fala em isonomia fiscal estamos falando daquela que dê a gente a condição de tirar a desvantagem que a indústria local tem relação àquela que está no centro econômico do país, com estradas em boas condições e, às vezes, há 2h do centro consumidor, enquanto a gente leva dias para chegar até o centro”, afirmou.

Pereira também apontou entraves na logística para o escoamento da produção. Ele afirmou que a parte de modal rodoviário do Polo apresentou uma boa evolução nos últimos anos, graças as privatizações das estradas, a ações do governo e a criação de um fundo de aplicação de recursos criado para atender a essas demandas.

“O que não está bem resolvido na questão de infraestrutura, que não depende do estado, mas que o estado pode ajudar, é a questão ferroviária. O modal ferroviário baiano está abandonado. Outra questão é o modal marítimo, os portos precisam de atenção especial. Mas nosso objetivo com o estudo não será apenas de apontar os problemas, também vamos propor soluções”, disse.

Polo Industrial
O Polo Industrial de Camaçari foi inaugurado em 29 de junho de 1978 e, atualmente, é responsável por 20% do Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia, gera R$ 1 bilhão por ano em ICMS, e fatura US$ 15 bilhões anualmente. O ativo total é de 20 bilhões de dólares, sem considerar a infraestrutura. O montante é fruto de uma evolução que em 2008 era de US$ 12 bi dólares, em 2011 saltou para US$ 16 bi, e em 2016 para US$ 18 bi. Atualmente, o local é responsável por mais de 30% de todas as exportações do estado.

Dentre as empresas que fazem parte do Polo, 35 unidades industriais químicas e petroquímicas, e 23 parceiras no Complexo Ford. As demais estão nos segmentos de metalurgia do cobre, têxtil, bebidas, celulose, pneus, fertilizantes, energia eólica, bebidas e serviços (incluindo logística).

A localização estratégica do Polo, a 50 quilômetros de Salvador, permite fácil acesso às indústrias através das rodovias BA-093, BA-535 (Via Parafuso), Canal de Tráfego, ferrovias, portos e aeroportos. As indústrias locais são responsáveis por empregar 15 mil funcionários, além de gerar outros 30 mil empregos indiretos.

Municípios
A cidade de Dias D'Ávila será a próxima a receber investimentos na área da industria. Segundo o gerente de promoção de infraestrutura da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Dias D’Ávila, Breno Bastos, uma nova fábrica será instalada no município em até três anos.

"O anúncio foi feito pelo governador há algumas semanas. A empresa Ucraniana já comprou o terreno e está, no momento, resolvendo a burocracia. A fábrica será instalada em Dias D'Ávila, vai produzir insulina e deve gerer cerca de 200 novos empregos", afirmou Bastos.

Ele disse que o Polo Industrial é importante porque além de contratar funcionários diretamente, existe uma cadeia de empregos que funciona graças ao empreendimento, como comércio, empresas de uniforme e de alimentação.

“Quando o polo nasceu, no final da década de 1970, Dia D’Ávila ainda era um distrito de Camaçari, e graças ao Polo a cidade cresceu e qualificou muita gente. O Polo é responsável por mais de 50% da nossa arrecadação tributária e, por tanto, é de fundamental importância para a região. Sem ele, Dias D’Ávila não seria uma cidade desenvolvida e com mais de 100 mil habitantes”, disse.

Já o vice-prefeito de Camaçari, José Tude, destacou que Camaçari e os municípios vizinhos se desenvolveram depois da implantação do Polo Industrial. Atualmente, o empreendimento é responsável por 90% da arrecadação tributária do município.

“O Polo transformou Camaçari e, hoje, estamos olhando para o futuro. Esse é um momento significativo e importante. A partir de agora teremos várias comemorações e vamos esperar que novos investimentos sujam, e com eles geração de empregos que é que nós estamos mais precisando”, disse.

Eventos
A reunião realizada nesta manhã pelo Cofic foi o primeiro de uma série de eventos programados para Camaçari para celebrar o aniversário de 40 anos do Polo Industrial. Entre as ações está previsto o lançamento do Programa de Desenvolvimento de Fornecedores de Camaçari, com palestras no município e em Dias D’Ávila sobre sustentabilidade.

Em junho, haverá a entrega do Prêmio Polo de Segurança, Saúde e Meio Ambiente pelo plantio comunitário em Camaçari e Dias D’Ávila. Já em julho será realizado um evento no Teatro da Cidade do Saber em comemoração aos 40 anos do Polo. Em agosto serão desenvolvidas atividades do Programa Construindo o Futuro nas escolas das duas cidades.

Em setembro, será inaugurada a Escola Técnica do Senai (Senai/ Cimatec) que terá como finalidade capacitar moradores de Camaçari para trabalhar na indústria. Em novembro, as Secretarias da Educação de Camaçari e Dias D’Ávila vão receber um Prêmio de Incentivo à Educação.

Líderes
Entre as empresas do Polo, a Braskem é líder em resinas termoplásticas na América Latina. Já a Paranapanema é o principal produtor de cobre eletrolítico da América do Sul, e a BSC é a única indústria que produz celulose solúvel com alto teor de pureza em toda a América Latina.

A Deten Química é a única produtora no país de LAB - Linear Alquilbenzeno, matéria-prima básica para produção de detergentes biodegradáveis, enquanto a Ford tem capacidade de produção para 250 mil veículos/ano, com previsão de ampliação para 300 mil/ano). A Continental  é a primeira unidade no Brasil, e a Bridgestone lidera na produção de pneus, ambas com ampliações realizadas em suas respectivas capacidades de produção.

No segmento eólico, um dos últimos implantados e com poder de crescimento, destacam-se indústrias como Gamesa, Torrebrás, Alston e, mais recentemente, Tecsis.

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