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Estudantes, professores e integrantes de movimentos sociais realizaram nesta segunda-feira (6), em Salvador, um protesto contra o corte de 30% no orçamento da Universidade Federal da Bahia (UFBA) (Foto: Reprodução)
Estudantes, professores e integrantes de movimentos sociais realizaram nesta segunda-feira (6), em Salvador, um protesto contra o corte de 30% no orçamento da Universidade Federal da Bahia (UFBA) (Foto: Reprodução)

Estudantes, servidores e professores cobram resposta do Governo Federal

Em mais um ato de repúdio ao bloqueio das verbas destinadas à educação no país, pelo Ministério da Educação (MEC), milhares de estudantes, professores e servidores da Universidade Federal da Bahia (Ufba) se reuniram, na manhã desta segunda-feira (6), para cobrar respostas do Governo Federal. Na federal baiana, o corte corresponde a 30% do orçamento, o equivalente a R$ 37,342 milhões da rubrica de funcionamento de custeio.

O ato começou, por volta das 11h, na Faculdade de Educação (Faced), de onde o grupo com mais de 2 mil pessoas saiu em caminhada em direção à Reitoria, no bairro do Canela. Durante o trajeto, que durou pouco mais de uma hora, os manifestantes deixaram claro que a causa, ali, não era só dos estudantes, ou só dos professores, mas de toda comunidade acadêmica.

"A nossa luta unificou, é estudante junto com trabalhador", entoaram, em coro. Com o auxílio de um carro de som, a organização do ato afirmou que "o corte assassino" compromete o funcionamento regular da universidade, que foi acusada pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, de promover "balbúrdia" dentro de suas instalações.

Além da Ufba, a Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), também tiveram os repasses reduzidos porque, ainda de acordo com o ministro, promoveram "festas inadequadas". Depois da declaração de Weintraub, o MEC anunciou que o bloqueio da verba contemplava todas as universidades e institutos federais.

Estudante de Fisioterapia, Giselle Almeida, 21 anos, disse que o ato ajuda a conscientizar a população de que um corte de milhões pode ter impacto direto nas vidas das pessoas, esteja ela dentro ou fora da Ufba.

"Nós somos contra o corte e a gente precisa fazer as pessoas compreenderem que a base da sociedade é a educação. Precarizar o estudo, a pesquisa, impacta diretamente no crescimento intelectual de qualquer sociedade. É estagnar conhecimento, que é o que mais precisamos nesse momento", disse a estudante ao CORREIO.

Giselle também comentou que a afirmação do ministro contribuiu para que, "quem está de fora tenha uma visão deturpada" dos estudantes da Ufba. "Nós somos uma universidade que atende à sociedade, por meio das clínicas, por meio das pesquisas, tudo isso é a Ufba, conhecimento".

Servidora da universidade há 30 anos, Maria Rita Santos, 58, também acredita que há, na iniciativa do corte do MEC, a tentativa de diminuir os gastos com a educação e, consequentemente, com os problemas que o Brasil enfrenta, por exemplo, no âmbito da economia.

"A intenção de um Estado que não quer possibilitar conhecimento aos seus, qual é, senão dificultar que as pessoas entendam dos danos que sofrem, diariamente, e das consequências das decisões de quem está no poder?", indagou ela, que confirmou presença da greve geral, organizada pelas universidades e institutos federais do Brasil para o próximo dia 15.

Para contrapor as afirmações do MEC, a estudante de Pedagogia Alice Santos, 21, lembrou, por meio de um cartaz, que a Ufba é 10ª universidade brasileira no ranking The Higher Education, que avalia 1.250 universidades de 36 países. O estudante de Fisioterapia Levi Loura, 24, sabe de cor a razão do destaque.

"O Hospital das Clínicas é o único lugar, do Brasil, que realiza a regeneração de ossos com células-tronco, então não é só uma questão estudantil, é uma questão de atividades de saúde para um público que não tem como pagar, nós somos destaque no país e no mundo", considerou Levi, ao comentar a série de estudos científicos realizados pela Ufba, incluindo a pesquisa que descobriu o zika vírus.

Além do desbloqueio dos milhões do MEC, os representantes da academia defendem, por unanimidade, que o mau funcionamento da Ufba impacta diretamente no bom desempenho da sociedade.

Em nota, a Polícia Militar da Bahia (PM-BA) afirmou que foi acionada por volta das 10h40 pelo Centro Integrado de Comunicação (Cicom) por conta da manifestação. "As vias ficaram parcialmente obstruídas, contudo o protesto foi pacífico e encerrado as 12h30", diz a nota.

Já a Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador) informou que acompanhou a manifestação e esclareceu que nenhum desvio de tráfego foi necessário. No entanto, o ato causou congestionamento na região do Campo Grande.

Reitor João Salles acompanha ato que reuniu professores, estudantes e servidores da Ufba em frente à Reitoria (Foto: Marina Silva | CORREIO)
Reitor João Salles acompanha ato que reuniu professores, estudantes e servidores da Ufba em frente à Reitoria (Foto: Marina Silva | CORREIO)

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