Galeria de Fotos

Não perca!!

Banner

Bahia

A pior estiagem dos últimos 47 anos na Bahia colocou grandes obstáculos para quem faz o caminho da roça em busca das tradicionais festas de São João do estado. Grandes atrações nacionais como Gustavo Lima e a dupla Maria Cecília & Rodolfo tiveram contratos cancelados em Irecê e Piritiba. Apesar disso, em 7 de 11 cidades com festejos juninos tradicionais, o São João está garantido - ainda que em algumas delas com redução no número de dias de arrasta-pé.

A recomendação de diminuir a duração da festa partiu do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), entendendo que as prefeituras afetadas pela falta de chuva não devem gastar dinheiro com  festejos. “Não podemos cancelar a maior festa da cidade. Ainda pode chover e turismo para nós não é só diversão. É negócio também. O São João está mantido”, garante Valmir Sampaio (PT), prefeito de Amargosa, a 235 km de Salvador, que reduziu a festa de dez para quatro dias.

Senhor do Bonfim, no Recôncavo, vai diminuir de cinco para quatro dias a festa e racionar a água. “Tivemos uma audiência pública com a comunidade, vereadores, Embasa, Ministério Público e colaboradores do evento e decidimos não cancelar. Vamos cortar a água alternadamente nos bairros da cidade”, diz o prefeito Paulo Machado (PP). O gestor prevê economizar R$ 400 mil reduzindo a programação do São João.

O secretário de Cultura e Turismo de Jequié, no Sudoeste, Irailton Santos, acredita que decreto de emergência não será empecilho - lá, o arrasta-pé começa dia 14 de junho e só termina dia 24 -, mas ele estima que a prefeitura gastará R$ 1,3 milhão – R$ 700 mil a menos que em 2011. “Temos que economizar por causa dos gastos com a zona afetada pela seca com carros-pipa e alimentação”.

Para a prefeitura de Mucugê, na Chapada Diamantina, mesmo com 70% da população vivendo na zona rural, cancelar o São João significa decretar falência. “Fazemos essa festa há 100 anos. A expectativa da população e do empresariado é grande e não podemos sacrificar nossa economia”, defende o secretário de Meio Ambiente e Turismo, Euvaldo Ribeiro Junior.

Ameaçados
Entre os destinos mais procurados, quatro ainda não decidiram se farão a festa: Irecê, Serrinha, Uauá e Euclides da Cunha. “A nossa situação é de calamidade. Na zona rural, a população está sem uma gota de água. Estamos averiguando a situação e dentro de 15 dias anunciaremos se haverá festa. Mas é muito provável que não tenha nada”, afirma Raimundo Pereira, secretário de Administração de Euclides da Cunha.

Para prefeitura de Serrinha, a 173 Km de Salvador, o problema é conciliar os gastos da contratação de bandas e infraestrutura para receber 30 mil turistas por dia e ainda ter recursos para a população.

Já o prefeito de Uáuá, a 416 km da capital, Jorge Lobo Rosa, fará uma audiência pública na próxima sexta-feira para discutir com a população que decisão tomará. “Aqui, a situação está muito complicada e 66% do povo está afetado pela seca. Estou gastando entre R$ 45 mil e R$ 50 mil por mês com a seca. Ainda não sei se devo investir R$ 450 mil com uma festa”, pondera.

De olho
TCM e Ministério Público prometem checar com lupa os gastos de quem fizer a festa. Para o presidente do TCM, Paulo Maracajá, o bom-senso deve nortear a decisão. “O povo está morrendo, a agricultura falida. Não queremos acabar com o São João, mas é preciso gastar dinheiro para cuidar dessas pessoas e não em festa e micareta”, opina. Ele avisa que mandará inspetores em todas as cidades com decreto de emergência que decidirem realizar a festa. “Vamos ver como essas contas ficarão. Não se pode gastar dinheiro do povo e esquecer quem está morrendo”.

A promotora do patrimônio público Rita Tourinho ressalta que o Ministério Público do Estado também observará bem os gastos e retornos. “Nós pediremos análise das contas. O gestor terá que demonstrar em números que o recurso empregado na festa e o que ganhar com ela não afetará as ações de socorro à população que está sofrendo sem água. O povo não quer mais pão e circo. Isso é  ultrapassado”, diz.

Para o secretário estadual de Turismo, Domingos Leonelli, a preocupação do TCM e do MP é válida, mas onde a festa tiver função turística, ela não deve ser cancelada. “Porque nesses locais não é só divertimento. O São João significa geração de emprego e renda. Se não houver as celebrações, a situação econômica do município pode se agravar”, diz.

 

 

Camaçari Fatos e Fotos LTDA
Contato: (71) 3621-4310 | redacao@camacarifatosefotos.com.br, comercial@camacarifatosefotos.com.br
www.camacarifatosefotos.com.br