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Bahia

Tentar fazer a segurança de Salvador com alguns homens das Forças Armadas e da Força Nacional é como vestir um santo e despir o outro. O santo coberto é a Barra, os pontos turísticos, o Centro, o Dique do Tororó e o Pelourinho. O descoberto é todo o Subúrbio Ferroviário, a Liberdade, e outros bairros mais pobres.

O CORREIO circulou ontem de um lado a outro da cidade e confirmou a desigualdade policial. A presença de homens fardados é numericamente bem superior em alguns locais. A sensação de segurança também. O recorde de policiamento fica com o Pelourinho, onde grupos de quatro e cinco soldados do Exército sobem e descem as ladeiras. Andam ostentando seus fuzis pelo Terreiro de Jesus.

Por lá, o empresário paulista Paulo Casaroti passeava tranquilamente com a família ontem à tarde. “O Exército está por toda parte. Estamos tranquilos”, disse. Isso se repetia no Mercado Modelo, Elevador Lacerda e Igreja do Bonfim.
E não só nos cartões postais. Na avenida Sete de Setembro, uma viatura da Força Nacional reforçava a vigilância. No Comércio, Fuzileiros Navais andavam pela Praça Cayru e um jipe do Exército passava pela avenida Estados Unidos. No Campo Grande, tinha até PM no módulo policial.

Bastou, porém, dar uma chegadinha na rua Lima e Silva, principal via da Liberdade, para constatar que o clima ali é bem diferente. Ao meio-dia, os boatos de um arrastão fizeram o comércio fechar. Nem assim a segurança chegou.

“Negativo. Não aparece ninguém aqui. Exército? Não. Força Nacional? Nada. Brigada paraquedista? Muito menos”, comentou o segurança Silvio Cerqueira, cheio de jargões militares, mas sozinho na defesa do Shopping Liberdade Center, que colou na porta comunicado para os clientes. “Estamos fechados por falta de segurança pública”.

Na imensa área do Subúrbio, formado por mais de 30 bairros, o Exército e a Força Nacional são raridade. No percurso de ida e volta de toda a avenida Suburbana, nem um carrinho sequer.

A coisa funciona na base do cobertor curto. Cobre a cabeça e descobre o pé. Se Periperi está com ameaças exigindo que o comércio feche, manda-se homens para lá. Ontem, quatro deles circulavam  pela principal rua do bairro. “Tem uns gatos pingados aí. Pouco, mas pelo menos hoje deu para abrir”, disse a vendedora de uma loja de calçados. Em Plataforma, porém, na rua Davi Ferreira, a principal, o comércio era tímido. Muitas portas fechadas, algumas semiabertas, mas nenhum homem fardado para contar história.  “Só vi passar uma vez”, disse Carlos Santos, morador da rua.

 

 

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